Intensificar nas bases a discussão da previdência, rumo à greve geral

Foto: Pablo Vergara

Depois das mobilizações em todo o país ocorridas em 22 de março, que esquentaram o clima para uma greve geral para barrar a aprovação pelo Congresso da “reforma” da Previdência de Bolsonaro/Guedes, a próxima mobilização do movimento sindical se dará no 1º de Maio, dia internacional de luta da classe traba­lhadora.

Em São Paulo está sendo organi­zado um 1º de Maio unificado de todas as centrais, focado na defesa da aposentadoria e dos direitos previden­ciários dos trabalhadores. As direções das centrais orientaram iniciativas do mesmo tipo em todos os estados.

Um abaixo-assinado dirigido aos parlamentares exigindo “Vote NÃO À PEC 06/2019! Defenda a aposentado­ria e a seguridade social do povo bra­sileiro”, foi lançado em 4 de abril. Ele é um instrumento importante para a mais ampla discussão nos locais de trabalho e em praças públicas (veja exemplos nesta página).

Na sua introdução podemos ler: “Esta Proposta de Emenda à Consti­tuição dificulta o acesso à aposentado­ria, aumenta o tempo de contribuição e de trabalho, diminui o valor dos benefícios e ameaça a existência da seguridade social (aposentadoria, be­nefícios da assistência social como o BPC e as políticas de saúde). Enquan­to isso, a PEC 06/2019 não combate a sonegação das empresas devedoras da previdência, mantém privilégios e incentiva a previdência privada (os planos de capitalização), que só be­neficiam os banqueiros”.

CNTE propõe greve geral às centrais

Em 29 de abril o conselho da Confe­deração Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE, filiada à CUT), que representa sindicatos de pro­fessores e auxiliares da rede pública de ensino de todos o país, adotou o indicativo de greve nacional da ca­tegoria em 15 de maio, centrada no combate à destruição da Previdência, e ao mesmo tempo indicou essa data às centrais sindicais para a convocação da greve geral.

A CNTE tem autoridade para fazê­-lo, pois seus sindicatos de base fize­ram paralisações nas escolas em 22 de março e são os maiores, em número de filiados, em cada uma das unidades da federação. Sua decisão de avançar uma data para a greve geral é de gran­de importância e já levou as centrais a iniciarem discussões neste sentido.

Assim, tudo indica que nos atos de 1º de Maio será convocada a greve geral ainda neste primeiro semestre, tendo como limite a data de 15 de junho, como uma demonstração do conjunto da classe trabalhadora de que não aceita a perda de seus direitos.

Pressão nos parlamentares

Passados 100 dias da posse de Bol­sonaro, a PEC 06 ainda está na Comis­são de Constituição e Justiça (CCJ). A presença de um deputado armado, o delegado Waldir (GO), líder do PSL, na sessão da CCJ de 9 de abril e a reação dos deputados da oposição a esse absurdo, adiaram a votação para 17 de abril, numa situação em que o governo ainda não construiu uma “base” sólida na Câmara.

A pressão em cima dos parlamen­tares, portanto, ganha importância e deve ser feita nas suas bases eleitorais. A CUT está atualizando uma ferra­menta na Internet, “Na pressão”, que permite acessar redes sociais e e-mails de deputados e senadores em função da tramitação da PEC 06. Essa ferra­menta poderá ser acessada em www. reajaagora.org.br.

O 22 de março mostrou que é possível ganhar essa batalha contra a PEC 06 e em defesa da Previdência pública e solidária. Agora é arregaçar as mangas e preparar a greve geral!