JPT defende em nota o fim do governo Bolsonaro

Reunida no dia 27 de março a executiva da Juventude do PT adotou uma nota de conjuntura (publicada no dia 29) endereçada aos dirigentes do partido e a toda a juventude que fala pelo fim do governo Bolsonaro, uma bandeira mais do que necessária na atual situação.

Além de publicar a nota (abaixo), entrevistamos o companheiro Alexandre Pupo, da executiva nacional da JPT sobre o debate que levou a adoção desta nota.

O Trabalho: Vocês afirmam claramente “Ou acabamos com o governo Bolsonaro, ou o governo acaba com o Brasil”. Porque você acha que é necessário que o PT faça essa afirmação?

Alexandre Pupo: A crise do coronavírus demonstrou ainda mais claramente duas faces do governo Bolsonaro. A primeira, exemplificada pela Medida Provisória que ele apresentou autorizando a suspensão do pagamento de salários por 4 meses, é de que esse é um governo inimigo da classe trabalhadora. Quando ele puder tomar uma decisão, ele privilegiará o interesse dos ricos e dos empresários, em detrimento do povo.Essa é a lógica por trás do seu discurso de “economia em primeiro lugar”.

A segunda é a sua completa incapacidade. A gestão da crise de saúde pública demonstra que entre a ciência e os especialistas, Bolsonaro opta por seu fundamentalismo negacionista. Isso é um risco real à população. Por sua má gestão da crise, mais pessoas vão morrer a cada dia que ele siga governando. O PT não pode assistir esse cenário e não se pronunciar, temos que lutar pelo fim do governo Bolsonaro, antes que ele acabe com o nosso povo e com o nosso país.

O Trabalho: E como podemos chegar lá, ou seja, como foi na JPT o debate sobre como colocar um fim neste governo e que importância você dá a esse debate?

Alexandre Pupo: A JPT debateu muito a conjuntura e o resultado da nossa última reunião da Comissão Executiva Nacional. Diante do agravamento da crise, optamos por nos pronunciar tanto para os dirigentes do Partido quanto para o conjunto da militância da juventude do PT, da importância de termos um posicionamento público forte nesse momento.

Não nos interessa ver o protagonismo da oposição cair no colo de Maia, Doria e Witzel. Eles são inimigos do povo, e por mais que nesse momento deem vazão ao discurso do bom senso no combate ao Covid-19, é o Partido dos Trabalhadores que tem o papel histórico de apontar saídas para o conjunto do povo brasileiro, em especial da classe trabalhadora. Por isso achamos importante esse pronunciamento da JPT, para também motivar o Partido para se posicionar publicamente pelo fim do governo.

A iniciativa dos partidos de esquerda veiculada ontem é um passo importante, mas o partido também precisa – internamente – debater qual é a tática que adotará nesse momento e utilizar a sua força militante interna para construir as saídas que tanto precisamos nesse momento.


Ou acabamos com o governo Bolsonaro, ou o governo Bolsonaro acaba com o Brasil!

Nota de Conjuntura da Juventude do Partido dos Trabalhadores
29/03/2020

Aos dirigentes do Partido dos trabalhadores e da sua juventude

1. O mundo inteiro vive hoje uma situação de pânico e instabilidade agravada pela pandemia do Covid-19, o coronavírus. Sãos mais de 700.000 contaminados e 30.000 mortos pelos dados oficiais. O epicentro da crise passou da China, para a Europa, e segue em direção aos Estados Unidos, onde mais de 125.000 já foram registrados. Na Itália e na Espanha, o vírus já soma 16.000 mortos. No Brasil, chegamos a 130 mortes, e a quase 4.000 contaminados, enquanto o vírus se espalha pelo país em transmissão comunitária, e especialistas vêem a situação se agravar nas próximas semanas.

2. Na contramão do recomendado pela Organização Mundial da Saúde e dos casos de sucesso no combate ao vírus, o governo de Jair Bolsonaro desdenha da gravidade da pandemia e radicaliza seu discurso ideológico fundamentalista liberal e negacionista da ciência. Antes mesmo da chegada do vírus, a política econômica de Paulo Guedes já apresentava seus resultados perversos na destruição de empregos formais, diminuição de investimento público e cortes na saúde e educação. Os resultados dos índices de crescimento não agradavam nem o mercado e a alta do dólar foi disparada pela crise econômica que atingiu as bolsas com o anúncio da pandemia.

3. Nesse cenário, Bolsonaro se isolou ainda mais no seu núcleo fascista do governo, e passou a operar a crise ao lado dos ministros e assessores mais fundamentalistas e despreparados. Ao invés de atacar a crise sanitária com isolamento social, quarentena e medidas econômicas que garantam a subsistência dos trabalhadores brasileiros, Bolsonaro aprofunda sua necropolítica ao defender que a economia não pode parar, questionar se as escolas devem permanecer fechadas e dizer que os idosos devem ser cuidados pelos seus familiares. A edição da MP 927 é um exemplo dessa política, ainda que derrotada em parte, ela mostra a tônica do governo: desproteger a classe trabalhadora, privilegiando o empresariado, isentando o poder público de sua responsabilidade e deixando aos trabalhadores e trabalhadoras duas opções: morrer pelo vírus ou morrer pela fome.

4. Com esse movimento, tornaram-se protagonistas do discurso do bom senso a direita e a centro-direita, capitaneadas por Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre e João Dória. Esse grupo de políticos é conhecido, e foram suas posições golpistas e conservadoras que levaram a eleição de Bolsonaro com o processo de golpe contra Dilma Rousseff, a prisão ilegítima do Presidente Lula e a eleição fraudulenta contra Fernando Haddad. O protagonismo da oposição a Bolsonaro não pode estar na mão desse campo político, que não possui nenhum compromisso com a classe trabalhadora e não hesitaria em aplicar um golpe dentro do golpe para seguir ampliando o programa da direita.

5. O Partido dos Trabalhadores deve seguir se posicionando nessa crise, seja para contribuir com as melhores medidas de proteção a classe trabalhadora, formal ou informal – como com o projeto de renda mínima universal – seja na construção de alternativas para pôr um fim ao governo Bolsonaro. O modo como o presidente conduz essa crise coloca em risco a vida de milhares de brasileiros, e aprofundará a já enorme desigualdade social do nosso país. O Partido dos Trabalhadores deve ter voz ativa para disputar esse momento político, seja através de suas figuras públicas, seus parlamentares, seus prefeitos em exercício, direções municipai, como dos militantes espalhados por todo o país.

6. A juventude do Partido dos Trabalhadores tem a responsabilidade histórica de organizar e mobilizar a juventude brasileira por um movimento que exija a derrubada desse presidente neofacista, e de seu governo machista, racista e fundamentalista. Frente a um governo que não apenas não impede, mas também contribui para expansão da pandemia, o país não pode aguardar: ou acabamos com o governo Bolsonaro, ou o governo Bolsonaro acaba com o Brasil. Na dimensão econômica, é o nosso futuro, da juventude, que está em jogo. Queremos voltar a viver, ter possibilidade de renda, estudo e saúde. Para seguir construindo projetos coletivos e um país com um horizonte mais justo e humano, um horizonte socialista.

7. Precisamos derrotar Bolsonaro e seu projeto. A queda do governo bolsonaro é um importante movimento nesse sentido. Não podemos ser ingênuos, uma mera troca de cabeça não será o suficiente para mudar a política deste governo, nem Mourão nem Maia apresentam alternativas reais para o país hoje. O PT tem que ser protagonista para apontar rumos para construir pontos de apoio para o povo trabalhador sair da defensiva, reverter o jogo e  apontar o rumo de vitórias mais profundas que conquistaremos mobilizando a sociedade brasileira hoje já muito descontente com este desgoverno. Estamos à disposição do povo brasileiro e do nosso partido para ajudar a construir essa saída.

8. Neste momento de radicalização, diversas saídas se desenham  e nenhuma delas será positiva sem ter como centro a garantia da vida, saúde e renda da classe trabalhadora. As janelas batem panelas exigindo o fim do governo Bolsonaro, as periferias começam a se indignar apelando pela sua sobrevivência, estudantes exigem assistência, trabalhadores da saúde exigem condições mínimas de trabalho e trabalhadores exigem sua proteção. A luta do PT, da juventude e da esquerda brasileira deve estar canalizada na derrubada do governo em conjunto com a construção de uma alternativa democrática e popular. E é através da organização e da mobilização do povo que acumularemos forças para retomar a construção de um projeto democrático, popular e socialista.