Mobilizações no Peru questionam constituição de Fujimori

Uma semana de mobilizações da juventude estudantil pelas ruas de Lima e capitais das regiões do país para dizer basta aos governantes de turno, derrotaram as representações políticas instaladas no Congresso que, tendo nomeado, no dia 10 de novembro, como presidente a Manuel Merino, do partido Ação Popular (AP), acompanhado de Aliança para o Progresso (APP), Força Popular (F) e alguns da Frente Ampla (FA), entre outros, tiveram que se reinstalar para nomear no dia 17 outro presidente, Francisco Sagasti do novo partido Morado e ex-funcionário do Banco Mundial. A resposta a esta força mobilizadora que ganhou o apoio da população foi uma dura repressão às marchas pacíficas, em particular dos dias 12, 13 e 14, como resultado de dois estudantes mortos, 14 desaparecidos e mais de cem feridos.

Já foi aberta a Denúncia pela Promotoria da Nação dirigida aos primeiros responsáveis pelo falido presidente Manuel Merino, o primeiro ministro Flores Araoz, e o ministro do interior Gastón Rodríguez.

A juventude não está só, eis a questão chave: a classe trabalhadora da cidade e do campo continua mobilizada, em todos os governos que se sucederam ao ditatorial e repressivo de Fujimori (1990-2000), responderam com suas organizações sindicais, criando, com a CGTP, importantes e necessárias Jornadas de Luta como a do dia 5 de novembro, para impulsionar a revogação de dispositivos anti-trabalhistas e do estado de emergência, chamando à convocação de uma Assembleia Constituinte, colocando em especial a demanda por  aprovar uma nova Constituição Política, revogando a atual imposta fraudulentamente no ano de 1993 por Fujimori.

O pesado lastro da crise capitalista e a incapacidade da burguesia patronal e pró-imperialista de resolver os destinos do país, levaram a um período de agudo enfrentamento entre as classes cujo resultado foi o deslocamento dos partidos burgueses e aos que se chamam de “esquerda” moderada, pois com a Pandemia (um dos primeiros países em óbitos por milhão de habitantes) e o entreguismo se chegou à dura realidade da fome, fechamento de fábricas, demissões e quebra dos serviços públicos de saúde e de educação.
Com as mobilizações ocorridas e a derrota do estado de emergência, as mobilizações são diárias e firmes. No dia 18 de novembro se realizou a convocação da Jornada Nacional de Luta da CGTP, que conta com o respaldo da Assembleia Popular dos Povos. Isso foi o acordo do dia 14 de novembro, sábado, diante de uma participação de mais de 200 representantes de todo o país.

O novo presidente do Peru juramentou com um discurso conciliador, e rapidamente os setores em luta aumentaram seus apoios e rejeições: as mobilizações ganharam posições e se articulam com a CGTP e a Assembleia Nacional dos Povos, rumo a uma saída política baseada na solução das demandas sociais, econômicas e políticas que a luta pela Assembleia Constituinte livre e soberana faz suas. Ontem mesmo, os manifestantes pelas ruas de Lima proclamavam: “o povo exige Assembleia Constituinte”, “O povo não se rende, caralho”, “Estes são os que sempre lutarão”.

Correspondente