No Rio, profissionais de saúde e população fazem ato em defesa do Hospital Federal de Bonsucesso

O incêndio ocorrido no último dia 27 no Hospital Federal do bairro carioca de Bonsucesso confirma o descaso dos governos com a saúde do povo. 8 pacientes mortos até o momento, familiares desesperados à procura de informações sobre os pacientes que estavam internados no momento da tragédia anunciada. A falta de manutenção no hospital sempre foi denunciada pelos sindicados dos profissionais de saúde. O prédio não tinha alvará do Corpo de Bombeiros para funcionamento e suas instalações eram as mesmas da época da inauguração, há quase 70 anos.

O hospital atende casos de alta complexidade e é reconhecido por sua importância pela população mais pobre, como a do entorno, da favela da Maré.  Logo no início da pandemia de COVID-19, a instituição foi indicada como referência para o tratamento da doença no município, sem, contudo, receber os investimentos necessários para melhorias e qualificação das estruturas do prédio, pois maior parte dos recursos foram destinados à instalação de hospitais de campanha, muitos dos quais não foram implantados. Seus profissionais, antes do incêndio, já exigiram testagem e reclamaram da falta de EPI’s.

No dia 03 de novembro, médicos, enfermeiros e seus sindicatos, ao lado de associações de moradores e população fizeram um “abraçaço” no hospital que corre o risco de fechar. Já foram suspensos o atendimento de importantes especialidades e houve a transferência de parte do corpo médico e de enfermeiros para outras unidades. Mônica Armada, presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Rio, indicou que todos temem que o melhor hospital público da cidade seja privatizado e entregue à uma Organização Social (OS): “Esse ato é a defesa do hospital. Pedimos a reabertura imediata do hospital com segurança para todos: funcionários e pacientes. Tem prédios que não foram acometidos e podem funcionar. A transferência de funcionários daqui para outros locais é um risco para o fechamento permanente” (O Globo, 03/11).

Áurea Alves