O drama e a luta dos servidores municipais de SP na linha de frente do combate ao Coronavírus

Até o dia 26 de março o  Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (SINDSEP) registrava 43 trabalhadores do município com suspeita ou confirmação de Covid-19, revelando o drama dos servidores municipais que tem, literalmente, colocado em risco às suas vidas todos os dias para tratar os milhares de pacientes que lotam os hospitais e equipamentos públicos da capital paulista.

“Se não temos EPI adequado e suficiente sem casos de Covid-19, imagine agora. Não temos vestiários, armários, álcool gel suficiente, máscaras adequadas e os demais EPIs. Como vamos nos preparar, nos precaver? Uma máscara por funcionário no plantão! Somos linha de frente, sim, mas também temos famílias em casa”, apelou uma servidora que pediu a ajuda do sindicato.

O SINDSEP tem repercutido uma série de denúncias feitas pelos trabalhadores sobre a falta de equipamentos de proteção (EPIs) como máscaras, luvas, alcool em gel, mas também gorro, protetores faciais e equipamentos para todo o corpo.

A falta de EPIs  não ocorre só nos hospitais, mas igualmente em outras áreas essenciais como por exemplo o serviço funerário. Em cemitérios, como o de Vila Formosa, na zona leste paulistana, a prefeitura enviou aos trabalhadores máscaras que estavam vencidas há pelo menos 3 anos!

Mascara fabricada em 2014 tem validade de 3 anos
Mascara fabricada em 2014 tem validade de 3 anos

Pressão e luta do sindicato
A pressão e a luta do sindicato até aqui conseguiu arrancar um canal de pedido de afastamento para trabalhadores no grupo de risco, uma investigação do ministério público sobre as condições de trabalho e falta de equipamentos e o compromisso da prefeitura em abrir uma mesa técnica para acompanhar as condições de trabalho no combate ao Covid 19, até aqui, no entanto, vitima de uma inaceitável enrolação do prefeito e seus secretários.

Tentativa de redução de salário
Em meio à enorme exposição e sacrificio dos servidores um vereador do PSD, Police Neto, tentou tramitar um Projeto de lei que ameaçava reduzir em 20% os salários dos funcionários públicos municipais. A pressão do Sindicato e da categoria pelas redes sociais fez com o que o vereador acabasse recuando.