O Globo: editorial para a lata do lixo

O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo. É vice-campeão da pior distribuição de renda, perde somente para o Catar.

Essa desigualdade NÃO está entre os trabalhadores do serviço público e os do setor privado. Não está entre a maioria dos servidores e os milhões de desempregados, desalentados, trabalhadores informais e desregulamentados.

A desigualdade está entre a massa da população – aí incluída a ampla classe média, da qual faz parte o funcionalismo público – e os 206 brasileiros bilionários cujo patrimônio soma mais de R$ 1 trilhão.

A família que é dona do jornal O Globo está entre os bilionários.

São esses privilegiados – como mostram as estatísticas – que se beneficiam da “austeridade fiscal” que é o mantra para retirar direitos dos trabalhadores, cortar nos serviços públicos e reduzir investimentos.

Essa política criminosa – sempre defendida com unhas e dentes pelo O Globo – é a responsável pela existência hoje, no Brasil, de 12 milhões de desempregados, quase 40 milhões de trabalhadores informais e outros milhões de desalentados.

É a responsável por sucatear os serviços de saúde, por despovoar os hospitais e postos de saúde de pessoal médico e de enfermagem.

Somente uma dessas monstruosidades da “austeridade”, a Emenda Constitucional 95, bloqueou nada menos que 20 bilhões que iriam para o Sistema Único de Saúde e que foram para a especulação financeira.

Mas para o editorial do jornal O Globo desta sexta-feira, 20 de março, é do salário dos servidores que deve sair o “dinheiro público para salvar vidas em hospitais, postos de saúde garantir renda a dezenas de milhões de pessoas que vivem na informalidade”.

O Globo também defende que para as empresas sobreviverem é correto “cortar pela metade o salário de seus empregados na mesma proporção da redução da jornada de trabalho”. E conclui pedindo a aprovação da PEC 186 (dita “emergencial”).

Na crise que se instala, se depender do governo que O Globo ajudou a eleger não há como a população ser protegida. E vem O Globo escolher os servidores como alvo com o objetivo de dividir os trabalhadores e colocar os setores populares uns contra os outros. E vem O Globo insistir numa falsa “solução” que vai aumentar a calamidade!

Chega a ser criminoso! Tão criminoso quanto a cúpula do governo bolsonarista voltar dos EUA contaminada pelo coronavírus e o próprio Bolsonaro, por sua ação direta, facilitar o contágio da população.

Não existirá segurança sanitária se não houver proteção para toda a população, sem exceção. Por isso, a saída é o contrário disso tudo! Os direitos e garantias tem que ser ampliados, não reduzidos!

A classe trabalhadora – empregados registrados, desempregados, trabalhadores informais, vendedores ambulantes – tem que ser preservada.

Nenhuma demissão. Nenhum corte de salário. Garantia de renda para todos, em particular os setores mais vulneráveis e que foram golpeados pelo crescimento da pobreza nos últimos anos. Nenhuma votação no Congresso que impacte negativamente os serviços públicos.

* Edison Cardoni é secretário de Assuntos Jurídicos, Parlamentares e de Classe da Condsef/Fenadsef