Plano de ajuste destruiu a Saúde do Equador

Em plena pandemia, o Estado paga 325 milhões de dólares por títulos vendidos a Wall Street

Necrotérios transbordando, dezenas de mortos nas calçadas, corpos nas casas de centenas de famílias, cadáveres de parentes em decomposição. É o horror que reina.

Em um gesto de “caridade”, a prefeita de Guayaquil doou caixões de papelão. Isso mostra a crueldade dos “cristãos sociais” que governam Guayaquil há mais de vinte anos, fazendo com que a população perdesse tudo, até o direito de morrer com dignidade!

As autoridades se tornaram uma máquina de mentiras. Prometeram dois milhões de testes, mas só fizeram 40 mil. Em 16 de abril, a ministra do Interior falou de 403 vítimas confirmadas e 632 prováveis. No mesmo dia, o site eluniverso.com, que havia escondido os números, teve de revelar a morte de 14.561 na província.

O presidente, Lenin Moreno, reduziu drasticamente o orçamento da saúde para 2019 e 2020. Afastou 12 mil profissionais e expulsou a brigada médica cubana em 2019. O sistema de saúde está em ruínas. Há falta de máscaras, de luvas, de medicamentos e equipamentos adequados para todos os funcionários, que fazem tudo para salvar vidas. Mais de mil funcionários de hospitais foram infectados.

Exigências do FMI, mais mortais que a Covid-19
Em plena pandemia, o ministro das Finanças anunciou ter pago 325 milhões de dólares por títulos vendidos a Wall Street. Lenin Moreno pediu e obteve do FMI, em 2019, um empréstimo de 4,1 bilhões de dólares mais 6 bilhões de outras instituições financeiras. O plano de ajuste que condiciona o empréstimo implica o fim dos subsídios ao preço dos combustíveis, o incentivo às demissões, a eliminação de 12 mil cargos vagos de funcionários públicos, etc.

O governo aproveita a pandemia para destruir os direitos dos trabalhadores e beneficiar as empresas.

Há milhares de demissões, sem que ele intervenha. O governo solicita à Assembleia Nacional a adoção de um dispositivo de contratação, por tempo limitado, sob um novo “contrato de urgência”.

Ele cria uma conta de “assistência humanitária”, alimentada por uma dedução mensal progressiva sobre o salário dos trabalhadores que ganham mais de 500 dólares por mês (a renda média mensal é 480 dólares), durante nove meses, e por uma contribuição das empresas que ganham mais de um milhão de dólares, mas que será restituída sob a forma de crédito de imposto.

São 855 milhões de dólares de exonerações fiscais e de perdão de dívidas às empresas e às grandes fortunas, que faltam na luta contra o vírus e o drama vivenciado pelos mais vulneráveis.

O Equador dispõe de recursos para lutar contra esta pandemia. Uma condição essencial se impõe: a anulação da dívida do país.

Em outubro de 2019, o povo equatoriano não se levantou contra o aumento do preço dos combustíveis, inscrito no plano imposto pelo FMI?

26 de abril de 2020, Rosario Borja e Samy Hay