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CORRENTE O TRABALHO DO PT

Putin foi reeleito. E agora?

9 de abril de 2018

Vladimir Putin foi reeleito presi­dente da Rússia, sem surpresas. A imprensa fala em plebiscito, em fraudes, mas de todo modo ele teria sido reeleito. Putin aparece para a população russa como um mal me­nor, depois do período de anarquia vivido pela Rússia nos anos 1990. É visto como aquele que restabeleceu a autoridade do Estado e sua sobe­rania frente aos Estados Unidos e às grandes potências.

A natureza do regime autoritário de Putin tem uma particularidade: após a queda da União Soviética (URSS), a Rússia era um barco à deriva. As privatizações se multiplicavam, o roubo da propriedade social era evi­dente. Putin e seu grupo, vindos em sua maioria do aparelho do Partido Comunista da URSS, assumiram o controle do Estado, recentralizando­-o e reintegrando no setor público ou nacionalizando as empresas que haviam sido privatizadas.

Atualmente, 70% do setor indus­trial está sob controle estatal. Uma oligarquia dependente do aparelho de Estado coloniza essas empresas públicas, das quais retira suas rique­zas. Essa oligarquia mafiosa é cons­tituída de bilionários, enriquecidos graças a ações de pilhagem, mas que dependem do aparelho de Estado chefiado por Putin.

Depois da miséria dos anos 1990, por medo da explosão social, Putin teve de liberar algumas coisas à po­pulação trabalhadora. Ao mesmo tempo, reforçou o caráter autoritá­rio do regime, contra as liberdades democráticas e sindicais. Mas, desde 2012, a renda média dos russos caiu 12%, e a taxa de pobreza oficial é de 14% da população.

Uma das bases dessa oligarquia é a economia de armamentos. A pressão exercida pelos Estados Unidos por meio da corrida armamentista pesa fortemente sobre a Rússia. Em 2010, o orçamento militar equivalia a 40 bilhões de euros; atualmente, é de 60 bilhões de euros, 6% do PIB do país. O aumento desses gastos levou a cortes nos orçamentos da educação e da saúde, que representam 3,5% do PIB cada um.

 

Reforma da economia

Os especialistas defensores do ca­pital financeiro fingem se preocupar com a dependência da economia russa em relação ao petróleo e ao gás. Todos consideram necessário reformar a economia russa. As bases da reforma estão sobre a mesa: dizem que o sistema de aposentadorias, em virtude do envelhecimento da popu­lação, é insustentável.

A idade de início da aposentadoria é a que prevalecia na URSS: 55 anos para as mulheres, 60 anos para os homens. Alguns defendem o aumen­to gradual do início da aposentado­ria até 63 anos. Mas “mexer nessa conquista social da época soviética poderia se mostrar impopular” (AFP, 19/3).

Entre os planos de reforma da economia, há o apelo aos investi­mentos estrangeiros. Outro caminho é, evidentemente, o aumento da produtividade do trabalho. A refor­ma do direito do trabalho levaria a uma acentuação da degradação das condições trabalhistas na Rússia. Isso implicaria, para Putin e sua oligar­quia, um choque violento e frontal com a classe operária russa, que ele até o momento tentou evitar.

Lucien Gauthier, do jornal “Informações Operárias”, da França



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