Trump chantageia Venezuela em meio à pandemia

Proposta indecorosa de suspender sanções em troca de “transição”

Poucos dias antes de anunciar a sua proposta de suspensão das sanções que aplica contra a Venezuela, o governo Trump, através do seu Departamento de Justiça, tinha emitido uma ordem de captura contra o presidente Maduro e mais 13 funcionários de seu governo, enquanto o secretário de Estado Mike Pompeo anunciava uma recompensa de 15 milhões de dólares por informações que ajudassem a aplicar a infame “ordem”.

O mesmo Pompeo, em 31 de março, indicou que os EUA estariam dispostos a levantar as sanções contra o país, se fossem celebradas eleições presidenciais e parlamentares em “seis ou 12 meses”. Uma “transição” que exigiria um governo provisório sem a presença de Nicolás Maduro e de Juan Guaidó. Caberia aos membros eleitos de “ambas as partes” da Assembleia Nacional (situação e oposição) formar um Conselho de Estado – não previsto na Constituição venezuelana – para organizar as eleições.

Em meio à pandemia, o imperialismo estadunidense ousou fazer tal proposta, rechaçada de imediato pelo chanceler Jorge Arreaza, depois de anos de bloqueio econômico e sanções com o objetivo de provocar uma “ruptura interna” devido à escassez de gasolina e recursos financeiros, queda do preço do petróleo, que já existiam antes da chegada do vírus no país, que provocaria a “ingovernabilidade”

A situação no país
Essa nova ingerência se dá num momento em que o governo Maduro avança no apoio à sua luta contra as sanções, com a ONU, União Europeia e outras instituições e governos pedindo que os EUA levantem o bloqueio e outras medidas unilaterais que impedem a compra de medicamentos e insumos neste momento de emergência sanitária.

Dentro do país, a resposta do governo Maduro à pandemia, com quarentena e testes de detecção rápida, permitiram números baixos de infectados e mortes em comparação com outros países da região. E isso, apesar de todas as dificuldades impostas pelo bloqueio.

Essa resposta fortaleceu politicamente o governo, enquanto o títere Guaidó desapareceu do cenário político.

Maduro convocou o Conselho de Estado, conforme estabelece a Constituição, que se declarou em emergência e sessão permanente para afinar estratégias de combate à pandemia, além de convocar um amplo diálogo nacional. Exigiu do governo dos EUA levantar as medidas impostas à Venezuela, para que se possa utilizar os recursos da nação para enfrentar o coronavirus.

Levantar as sanções em troca de mudança de governo não tem outro nome senão chantagem e extorsão imperial.

Em meio a essa situação, os militantes agrupados no Comitê Autônomo e Independente de Trabalhadores (CAIT) combatemos com nosso povo pela supressão de todas as sanções e formas de bloqueio econômico exercidos pelo governo Trump ou qualquer outro governo.

Diante da pandemia, é genocida que os EUA e outros governos mantenham sanções – como as que pesam também sobre o Irã, Síria ou Cuba – que comprometam a sobrevivência dos povos.

Alberto Salcedo, desde Maracaibo