Trump: tire suas garras da Venezuela!

Em 5 de agosto, Trump decre­tou uma “ordem executiva” de embargo total contra a Venezuela, bloqueando todas os ativos do país nos EUA, os quais não podem ser transferidos, retirados ou trocadas de nenhuma forma.

Assim, as sanções, que já afetam a importação de alimentos e remédios, se estendem a quase todo o comércio com o país, bloqueando o ingresso de divisas, pois o setor privado representa uma parte muito pequena na geração dessas divisas, dada a prevalência do setor estatal na economia venezuelana.

Tal decisão unilateral de Trump, apoiada pelos governos lacaios da região reunidos em Lima, atingiu o processo de diálogo mediado pela Noruega, levando Maduro a anunciar a retirada temporária de seu governo das negociações com a oposição em Barbados. A Assembleia Constituinte criou uma comissão para avaliar a antecipação das eleições de deputa­dos para a Assembleia Nacional (de maioria opositora).

A ordem de Trump dividiu a opo­sição entre os que a apoiam, como o autoproclamado Guaidó, e os que a rechaçam. Os porta vozes dos EUA insistem na renúncia de Maduro e na antecipação de eleições presidenciais sem a sua participação.
“Não mais Trump!”, o povo trabalhador se mobiliza

Em 10 de agosto, milhares de tra­balhadores, estudantes, populares, membros de instituições do Estado e a milícia bolivariana ocuparam as ruas de Caracas e outras cidades com marchas em defesa da nação, nas quais foram recolhidas assinaturas que serão enviadas ao secretário ge­ral da ONU contra a ingerência e o bloqueio dos EUA.

Para nós, como afirma o manifesto que convoca a reunião nacional de 21 de agosto para conformar um Comitê Independente de Trabalhadores: “A defesa da nação deve estar vinculada à luta para melhorar as condições de vida dos trabalhadores, tirando a enorme carga da crise de suas costas e colocando-a nos ombros do capital”.

Não se pode seguir com políticas econômicas que contraem ainda mais o mercado interno ao reduzir o salário à sua mínima expressão, pretendendo com isso “seduzir” investidores que nunca chegaram e nem vão chegar, a não ser com migalhas e para comprar empresas estatais a preços aviltados.

Assim, a atitude do governo face ao bloqueio deve mudar. Não basta repetir que “nada que faça o império vai deter a marcha da revolução”, para depois lamentar-se que não se pode fazer nada porque o bloqueio não permite. Não se pode continuar com a mesma receita, que não só não traz os resultados esperados, mas que acaba reforçando a asfixia da economia interna.

Alberto Salcedo, 13 de agosto de 2019