“Voltar às aulas é ir para a cova”

Sabrina, à direita, com a bandeirada Juventude Revolução do PT

Sabrina Santos é estudante do 3º ano da Escola Estadual Olindo Flores em São Leopoldo (Rio Grande do Sul) e vivencia na pele a situação da escola pública em tempos de pandemia, ensino remoto e as tentativas de governos em retomar as aulas presenciais. A diretora de Assistência Estudantil da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes) e militante da Juventude Revolução do PT falou a O Trabalho a respeito da luta dos estudantes nesta conjuntura.

O Trabalho – O governo estadual do Amazonas retomou as aulas presenciais na pandemia. Vários outros anunciam a volta. Qual sua opinião sobre isso?

Sabrina Santos – Quem conhece uma escola pública vê o quão precária ela é em todo o país. As escolas mal conseguem comprar o básico como alimento para as crianças e fazer sua manutenção. Além disso, há também a falta de profissionais de limpeza, muitas escolas têm apenas um profissional e, neste momento não se faz testagem em massa. Essas são situações causadas pelo desmonte dos serviços públicos que está ocorrendo através do próprio governo. Então a gente percebe que as escolas não têm estrutura o suficiente para implantar todas as medidas de segurança e que voltar às aulas é entregar a população para a cova.

OT – O Fundeb foi aprovado no Congresso, porém o governo Bolsonaro e governadores não disponibilizaram os recursos necessários para diminuir as desigualdades com o ensino remoto. O que os estudantes têm exigido nessas condições?

SS – Mais e maiores investimentos para os serviços públicos que cuidam da população. Defendemos que o Fundeb seja permanente. Porém a luta não acaba aí, já que existe um teto de gastos que reduz investimentos e os recursos para a educação também foram cortados.

A educação remota é excludente, não garante o ensino-aprendizagem. Defendo que este ano o ensino seja complementar para que o aluno não perca contato com o colégio, os professores tenham renda e ninguém seja excluído. Temos de lutar por aquilo que é nosso por direito, serviços públicos de qualidade o que este governo nos retira a cada dia, nos deixando sem perspectiva. Para que tenhamos um futuro, só dando um fim a esse governo.

OT – Houve resistência na volta às aulas no AM e em outros estados já se veem mobilizações. Em sua opinião, qual a perspectiva da resistência nesta conjuntura?

SS – A perspectiva é de muita luta, nas ruas (com segurança, é claro), com colagens de cartazes, atos nas portas das escolas e secretarias. Nos organizando mais contra esse governo que destrói tudo que é patrimônio público e deixa a juventude sufocada, sem educação de qualidade e sem trabalho digno. A juventude anda muito revoltada, e com razão! A diretoria da Ubes parece desligada da realidade de sua base, já que falta um posicionamento firme contra as aulas remotas e a volta às aulas presenciais. É uma educação extremamente precarizada e um Governo genocida que estamos enfrentando.

Essa resistência é o que estamos discutindo na preparação da Plenária Nacional da Juventude Revolução do PT (🔗 http://bit.ly/PNJR2020). Queremos agir com os que queiram lutar contra esse governo e defender a educação pública. A juventude precisa respirar.