A Amazônia e os interesses do imperialismo

O desmatamento na Amazônia brasileira aumenta aceleradamente. Comparando julho de 2018 com julho de 2019 o desmatamento cresceu 278%, enquanto o IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente é desmontado, seus servidores estão sendo implacavelmente perseguidos com ameaças de transferência ou demissão, enquanto diminuem as multas aos desmatadores, acompanhados de mudanças de atribuições do Ministério do Meio-ambiente para o da agricultura.

O cinismo não pode esconder aonde esse governo que chegar. São os dados oficiais e o visível “cinturão de fogo” nas bordas da floresta só confiram que 90% das queimadas são para ampliar a área para criação de gado.

Em meio à crise, os latifundiários chegaram a organizar um “dia do fogo”, provocando incêndios criminosos na beira de rodovias federais. Fato denunciado por um jornal do interior do Pará, cujo jornalista, Adércio Piran, passou a ser ameaçado.

Até o Globo Rural denunciou o fato. Bolsonaro tem total responsabilidade no aumento das queimadas na Amazónia. Além de incentivar a ação destruidora dos latifundiários e do crime organizado, acusou indígenas como responsáveis, em meio a tantas outras barbaridades.

Os incêndios recentes ganharam destaque internacional e foram pretexto para governos de países imperialistas os utilizarem a favor de seus próprios interesses econômicos. Bolsonaro e os militares, posando de nacionalistas, na verdade fazem o jogo de Trump. Ao oferecer aos governos da região a famigerada GLO (Garantia da Lei e da Ordem), Bolsonaro sinaliza para a militarização da região; hoje, seria o caminho mais curto para a entrada do imperialismo estadunidense na floresta.

A defesa da Amazônia não virá de nenhum país imperialista, é um assunto e uma luta que diz respeito ao povo brasileiro e sua soberania. O presidente da França, Macron, mais uma vez, clamou pela internacionalização através da ONGs financiadas por eles mesmos e por multinacionais. Mas, ao final da reunião do G7 (grupo dos sete países mais ricos), recém realizado na França, teve que ouvir as manifestações de povos indígenas da Guiana Francesa e dos “coletes amarelos” ao denunciarem a sua duplicidade em relação à defesa do meio-ambiente.

Questão de soberania nacional
A defesa da Amazônia passa por respeito ao povo que a habita e por rechaçar todas as formas de exploração de seus recursos, muitas vezes travestida de “ajuda internacional”, seja através de governos, seja de ONG’s.

Por isso, nos pareceu estranha a declaração da Via Campesina de 24 de agosto, assinada pelo MST, MAB e outras organizações. Apesar de sua retidão no diagnóstico e da justa responsabilização do governo Bolsonaro no episódio, nesse documento não encontramos a palavra “soberania”. Mais preocupante ainda é ver que, ao tratar a Amazônia como “patrimônio da humanidade”, passa a defender as “ONGs socioambientais” e recursos de governos estrangeiros, sem sequer citar as declarações de Macron que todos sabemos que
interesses defende.

É verdade que sempre existiu o interesse das multinacionais de se apossem diretamente das riquezas da Amazônia, em detrimento da soberania dos países da região. E para fazer isso, vale tudo, inclusive criticar as consequências de suas próprias ações, como faz Macron, Trump e o próprio Bolsonaro.

As manifestações ocorridas após a eclosão do problema, com a participação majoritária de jovens, mostram que há disposição de defender a Amazônia, o que passa pelo combate ao governo Bolsonaro e aos governos imperialistas que estão de olho nas suas riquezas, a serviço dos interesses do mercado e das multinacionais.

Laércio Barbosa