Abaixo o ajuste fiscal!

O ano de 2015 foi marcado por mobilização das organizações de trabalhadores, populares e da juventude que culminou no dia 16 de dezembro, com milhares nas ruas contra o golpe e o ajuste fiscal. Convocadas pela CUT, MST, UNE, partidos políticos, entre eles o PT, o vigor dessa manifestação, que contou com o apoio de setores do PSOL e outras centrais,  combinado ao fracasso das manifestações pró impeachment três dias antes, mostrou onde está a única força capaz de fazer frente aos golpistas e impôs a demissão do ministro Levy. Parecia que o governo passaria a ouvir e atender a base social que o elegeu, que se mobilizou em 2015 contra as medidas que retiram direitos dos trabalhadores e recursos de serviços públicos e políticas sociais.

Mas, as primeiras declarações do novo ministro da Fazenda Nelson Barbosa foram um balde de água fria.  Repetindo o receituário do ajuste fiscal, “a primeira fala do novo ministro da Fazenda, Nélson Barbosa, é semelhante a primeira de Joaquim Levy. Ele falou em reforma da Previdência Social, retirada de direitos da classe trabalhadora, flexibilização da CLT e ajustes”, disse em nota o presidente da CUT, Vagner Freitas. De fato, soou como querer anular, no tapetão, o gol marcado a favor das massas trabalhadoras com a queda de Levy.

E, para não ficar dúvidas de que o que parecia não correspondia ao fato, a presidente Dilma, fazendo ouvidos moucos às reivindicações da maioria oprimida, para atender ao mercado, tocou o sinal de alarme. Na primeira entrevista do ano, disse: “não é possível que a idade média da aposentadoria das pessoas no país seja 55 anos, para mulheres um pouco menos”, anunciando sua intenção de “encarar de frente (sic) a reforma da previdência”.

O ajuste fiscal interessa aos golpistas que querem o impeachment

A questão é outra! Não é possível é que, um governo que só se mantém contra os ataques da direita graças à mobilização dos que o elegeram insista em governar para os interesses dos mesmo que articulam sua queda. No ano de 2015, a política econômica do governo de concessão aos interesses do capital financeiro serviu para jogar água no moinho dos golpistas ao sacrificar os interesses da maioria nacional, atacando direitos dos trabalhadores e conquistas sociais para alimentar a rapinagem do capital internacional especulativo. Está certa a CUT em propor uma grande mobilização em Brasília no mês de março. O resultado do ajuste fiscal é que 2016 se inicia com uma situação ainda mais dramática para as famílias trabalhadoras.

Milhares de trabalhadores estão na iminência de verem seus postos de trabalho fechados, como na Usiminas, em Cubatão, SP e na Companhia Siderúrgica Nacional, a CSN, em Volta Redonda, RJ. As montadoras, com a espada sobre a cabeça dos trabalhadores, empurram-nos para redução da jornada de trabalho com a redução de salários através do Programa de Proteção do Emprego, PPE e anunciam que serão colocados milhares em lay-off, prenunciando novas demissões.

Nos estados e municípios, os servidores públicos não recebem salário ou recebem parcelado. A maioria trabalhadora se confronta a serviços públicos cada vez mais incapazes de atender suas necessidades e sofre com a propagação da doença provocada pelo zika vírus, cuja prevenção, erradicando seu transmissor, foi bloqueada com os cortes nos gastos da saúde.

Não é possível que, no quarto mandato do PT, conquistado a duras penas pela mobilização dos querem avançar nas conquistas sociais e impedir o retrocesso continue a drenagem das riquezas para o bolso dos especuladores com o superávit fiscal primário para garantir o pagamento dos juros da dívida. Essa sangria tem que acabar.

Toda força deve ser engajada para pôr abaixo o ajuste fiscal. O Diálogo e Ação Petista – DAP – abre o ano reunindo seus grupos de base, preparando seu encontro nacional em março para reforçar a luta por mudança da política econômica.

Derrubada dos juros, controle do câmbio, fim do superávit fiscal primário, são medidas para avançar nas reformas necessárias, como a reforma política e a reforma agrária, para proteger a nação e os trabalhadores frente à ofensiva do imperialismo em crise.

No quadro de uma ofensiva geral no continente cujo ápice é a Venezuela, os golpistas voltarão com tudo nesse ano de 2016. Só a mobilização da base social que elegeu Dilma pode deter os golpistas. É para essa base social que Dilma tem que governar.

Abaixo o ajuste fiscal!

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