Às ruas, não ao impeachment!

A defesa do mandato deve ser a hora da virada!

O mandato popular dado por 54.501.118 de brasileiros está ameaçado pelo golpe do impeachment. A aceitação pelo (ainda!) Presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB) do pedido de impeachment, apoiado pelo PSDB, é uma verdadeira ameaça à nação.

Defender o mandato popular dado à presidente Dilma do PT é tarefa urgente para todo movimento democrático, operário, popular e da juventude. É hora da mais ampla unidade de todos que recusam entregar o país àqueles que querem submetê-lo, sem qualquer restrição, à pilhagem imperialista.

Não é mera coincidência que o pedido de impeachment se baseie no “crime de responsabilidade” da presidente Dilma por comprometer as metas do superávit fiscal primário, a seiva que alimenta a especulação financeira, por imposição do Fundo Monetário Internacional, desde o governo tucano de FHC.

Não é mera coincidência que os ventríloquos dos interesses imperialistas saiam a campo para, num só movimento, garantir o impeachment e apresentar as “medidas amargas” a serem tomadas para que possa avançar a ofensiva contra os interesses nacionais e dos trabalhadores.

Falam em união nacional. Não há união possível entre interesses de classe opostos. O que eles querem é quebrar a resistência para que os trabalhadores paguem pela crise provocada pela especulação financeira.

Para eles, é preciso atacar a Previdência com a idade mínima para aposentadoria. É preciso quebrar as conquistas dos trabalhadores com o fim da CLT e a prevalência do negociado sobre o legislado. Eles querem liberar mais recursos para o superávit fiscal primário com o fim das vinculações constitucionais nos gastos de saúde e educação. Para eles, é preciso derrubar as barreiras para que as multinacionais se apossem da riqueza do petróleo do Pré-sal.

São medidas defendidas da, mal chamada, “Ponte para o Futuro” do vice-presidente Michel Temer, do mal chamado aliado PMDB. “É uma ponte para já”, “imediatamente”, disse Temer diante de empresários que o aplaudiram: “o vice falou o que queríamos ouvir”. Também o PSDB e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy congratulam-se com “medidas amargas” que acabem com “os benefícios e privilégios de uma era onde o populismo dava a última palavra. ” (Editorial de jornal O Estado de São Paulo, 8/12).

Contra essa política, a mobilização das organizações e movimentos dos trabalhadores e da juventude garantiu, em 26 de outubro de 2014, a eleição de Dilma, escolhendo o melhor terreno para a classe prosseguir seu combate. E, efetivamente, durante todo o ano de 2015, essas mesmas organizações tomaram as ruas contra a política econômica comandada por Levy.

Está certo o presidente da CUT, Vagner Freitas, ao declarar “vamos continuar a defender o governo contra o golpe e a necessidade de mudança da política econômica” (jornal Valor Econômico, 8/12). Para os que estão dispostos a sair às ruas e defender o mandato popular, essa dever ser a hora da virada!

A Corrente O Trabalho do PT se coloca, incondicionalmente, ao lado de todas as forças democráticas, populares e sindicais para impedir que as forças reacionárias desfiram o golpe antidemocrático, através do impeachment.

Com os companheiros do Diálogo e Ação Petista, nos juntamos às manifestações para barrar essa tentativa de golpe. E, num só movimento, manter em pé a luta pelo fim da política de ajuste de Levy, para que Dilma reate com a base social que a elegeu com uma política que defenda os interesses dos trabalhadores e da nação e desarme as bombas armadas em nosso país para subjuga-lo, sem obstáculos, à política de massacre dos povos, pilhagem das riquezas, ataque às conquistas, para dar sobrevida ao parasitário sistema imperialista em crise.

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