Brasil do golpe mostra sua cara

O Brasil já tem 52% de sua população empregada vivendo na informalidade: ganhando a vida sem carteira assinada, por conta própria, ou em algum tipo de “bico” – um recorde histórico (da pesquisa PNAD-IBGE), atingido neste trimestre móvel encerrado em agosto de 2021. O alto índice de desemprego, os ataques à legislação trabalhista e a inflação têm também reduzido a renda real da família trabalhadora, sobretudo as mais pobres.

De 2014 para cá (ver gráfico), mais de seis milhões de trabalhadores perderam emprego formal, novos 13 milhões tornaram-se desempregados (desocupados ou desalentados, aqueles que querem emprego, mas não procuraram na última semana) e outros cinco milhões caíram na informalidade. A pandemia obviamente piorou o quadro do mercado de trabalho em 2020, mas mesmo com a suposta recuperação – tão festejada pelo governo e mídia – a situação segue gravíssima. Os poucos que rearranjaram trabalho só encontraram algo sem vínculo empregatício, proteção ou direitos trabalhistas, além de precário e muito mal remunerado.



Hoje, dos 110 milhões que compõem a força de trabalho brasileira, apenas 41,8 milhões mantém emprego formal. Outros 44,6 milhões são informais e 23,5 milhões estão desempregados (dos quais 13,7 e 9,7 milhões estão respectivamente desocupados e desalentados/potencialmente ligados à força de trabalho).

Mesmo dentre os ocupados, já são 7,7 milhões (outro recorde histórico) os “subocupados” por insuficiência de horas, aqueles que trabalham menos do que poderiam/gostariam. Assim, o contingente de “subutilizados” – ou seja, a soma de desocupados, subocupados por insuficiência e desalentados/potenciais – são hoje quase 32 milhões.

A alta inflação corrói ainda mais a renda real da família trabalhadora. O Dieese aponta que sindicatos têm tido dificuldades em garantir recomposição das perdas inflacionárias: em agosto 2/3 das negociações salariais ficaram abaixo da inflação. Com isso, o rendimento médio real dos trabalhadores (R$ 2.489) recuou 10,2% em relação ao já fraco montante de 2020 – a maior queda da série histórica.

Alberto Handfas

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