Câmara de Curitiba golpeia voto popular e cassa mandato de Renato Freitas

Por 23 votos contra sete, a Câmara Municipal de Curitiba cassou, na última sexta (5), o mandato do vereador Renato Freitas (PT).

O processo, repleto de fraudes e irregularidades, montado com base em acusações desmentidas pelos fatos, arrastava-se desde fevereiro, quando um protesto contra a violência racista terminou com a ocupação pacífica de uma igreja no Largo da Ordem, centro histórico de Curitiba.

Com a cassação, por quebra de decoro, a Câmara cometeu um grave atentado contra a democracia e os mais de 5 mil votos populares que elegeram Renato em 2020.

Militante dos movimentos de periferia, Renato jamais se calou diante do fisiologismo e das negociatas do prefeito Greca e sua base de apoio no parlamento municipal. Há pouco mais de um ano, vereadores das bancadas evangélica e policial tentaram cassá-lo num processo recheado de mentiras.

Tampouco nunca deixou de denunciar a violência policial e o genocídio da juventude negra. Um mandato com esse perfil, com essa disposição para o combate, era visto como uma afronta à burguesia de Curitiba e seus representantes na Câmara.

Mas a luta em defesa do mandato legítimo segue até o fim. A defesa no âmbito jurídico vai entrar, nesta semana, com ação pela anulação do processo, visto que os prazos estabelecidos pelo regimento cameral colidem-se com a legislação.

Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay , e outros juristas estão confiantes numa vitória que devolveria o mandato ao Renato e ao povo que o elegeu.

Embora a punição a Renato inclua a perda dos direitos políticos, como o de votar e ser votado, a candidatura a deputado estadual está registrada e a militância segue atenta aos desdobramentos dessa batalha judicial.

Gustavo Erwin Kuss

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