China: a luta por um sindicato independente

Estudantes se solidarizam com os trabalhadores presos

50 presos por solidariedade aos trabalhadores da Jasic Tecnologia

Cinquenta trabalhadores e estudantes foram presos em 24 de agosto. Eles haviam vindo a uma manifestação em Shenzhen (cidade no sul da China) em apoio a operários demitidos por tentar criar um sindicato na empresa privada Jasic Tecnologia.

Representantes dos trabalhadores e estudantes que haviam contatado a Federação dos Sindicatos da China e a Federação das Mulheres Chinesas a respeito do caso dos trabalhadores da Jasic, também desapareceram (China Labour Bulletin). Cinco dias antes, o Ministério da Educação havia instado as universidades do país a impedirem os estudantes de irem às manifestações (Reuters). Mais de 70 pessoas estão presas até o momento.

“Investigação” dos incidentes
A imprensa oficial divulgou a apuração da polícia local: “Yu, um empregado da Jasic havia sido despedido em maio por ter faltado ao trabalho sem justificativa válida e ter participado de confrontos violentos. Insatisfeito com a decisão arbitrária, ele e seis outros trabalhadores se reuniram na entrada da empresa e tentaram entrar à força em 20 de julho”. Cinco deles foram presos na sequência e, depois de liberados, “continuaram a reunir pessoas para entrar nas instalações da empresa pela força e inclusive bloquear as operações normais de um posto policial”.

Na semana seguinte, 29 “suspeitos” foram presos por nova tentativa de entrar na fábrica. A polícia acusa “uma organização ilegal não registrada chamada “Dagongze Zhogxin” ou “Centro para trabalhadores imigrantes”, que seria “financiada por ONGs estrangeiras, de estar forçando os trabalhadores a tomar medidas radicais”, declarou a polícia. Os “suspeitos” foram obrigados a assumir seus “erros” e prometer que “não os repetirão se tiverem uma segunda chance”.

Apelo internacional
A Confederação de Sindicatos de Hong Kong (HKCTU) lançou um apelo mundial a sindicatos para escreverem ao primeiro ministro do Conselho de Estado, Li Keqiang, e ao presidente da Federação de sindicatos da China, Wang Dongming, pedindo a liberação imediata dos trabalhadores da Jasic. Pede também ao governo que observe os princípios da OIT concernentes ao direito e à liberdade de associação sindical.

O apelo já recebeu apoio de sindicatos e centrais sindicais de mais de uma dúzia de países, como a central do Reino Unido, TUC, a CGT (França) e a Confederação Sueca de Sindicatos.

Um manifesto da HKCTU denuncia o governo chinês de seguir ignorando o apelo internacional e violando as normas internacionais do trabalho e assim privar os trabalhadores de seu direito de organizar sindicatos e reprime trabalhadores. Exige libertação imediata dos trabalhadores e a reintegração dos mesmos a seus postos de trabalho na Jasic.

Extratos de artigo de Albert Trap, do jornal francês Informações Operárias

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