Colômbia: três semanas para abrir uma nova etapa

Petro e Francia ganham o 1º turno e enfrentam aventureiro de direita em 19 de junho

Os mais de 40% dos votos obtidos pela chapa do Pacto Histórico (coalizão de centro-esquerda) no primeiro turno das eleições presidenciais na Colômbia, com Gustavo Petro como candidato a presidente e Francia Marquez a vice, são o produto direto do que ocorreu há um ano no país vizinho, quando eclodiu o chamado “Paro Nacional”.

Por mais de 40 dias, então, manifestações, bloqueios de estradas, greves, encostaram o governo de Iván Duque na parede e assestaram um duro golpe no “uribismo”, movimento de direita liderado pelo ex-presidente Álvaro Uribe que articulou os partidos tradicionais das elites colombianas nos últimos vinte anos.

O “uribismo” foi o grande derrotado no 1º turno eleitoral. Durante a campanha, o candidato de Duque, Fajardo, já havia desistido em favor de “Fico” Gutierrez, que as pesquisas indicavam como o provável segundo colocado. Mas na reta final, Rodolfo Hernández, um empresário milionário que se apresentou pela Liga anti-corrupção como “oposição” ao mundo político oficial, chegou a 28% dos votos (Gutiérrez “ficou” com 23%). Desde já todos os demais candidatos à exceção de Petro e Francia, já declararam voto em Hernández, que conta com o apoio da grande mídia, do empresariado e da embaixada dos EUA, é claro, diante do desabamento do “uribismo”.

Como garantir a vitoria em 19 de junho?

Petro e Francia apresentaram um programa que inclui a reforma agrária, acabar com a violência contra líderes populares e sindicais, normalizar relações com a vizinha Venezuela. Um programa moderado, mas que coloca em questão a condição da Colômbia de “porta aviões” dos EUA na América do Sul (há sete bases militares ianques no país). Mais de 8,5 milhões de colombianos deram a vitória ao Pacto Histórico no 1º turno, mas a participação eleitoral (o voto não é obrigatório) não chegou a 50% dos possíveis eleitores.

Essa abstenção – revertê-la – parece ser a chave para a vitória eleitoral em 19 de junho. Uma boa parte do povo, em particular a juventude, desconfia das instituições do regime e com toda a razão num país que viveu décadas de conflito armado e depois uma repressão aos membros das guerrilhas das FARC que depuseram armas e também a lideranças rurais e urbanas que foram assassinadas por paramilitares e o próprio Exército. Nessas próprias eleições ocorreram fenômenos de compra de votos, ameaças e atentados.

Buscar esses setores que não votaram em 29 de maio, mostrando a eles quais são as forças anti-povo que hoje se alinham com o aventureiro Rodolfo Hernández, parece ser o caminho necessário a ser trilhado pela militância do Pacto Histórico para abrir as portas a uma ruptura com o regime subordinado ao imperialismo dos EUA e facilitar o combate pelas reivindicações da maioria do povo.

Julio Turra

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