CUT: a volta às ruas está colocada

Em 30 de junho, a executiva nacional da CUT reuniu-se com representantes de CUTs estaduais e ramos. Sobre o pano de fundo de um ataque sem precedentes aos direitos, empregos e salários da classe trabalhadora, a discussão apontou a necessidade de se convocar e apoiar mobilizações de rua.

A greve dos entregadores de aplicativos em 1º de julho foi mais uma indicação de que é preciso retomar as ruas para barrar a ofensiva de capitalistas e governos de precarização e destruição de direitos trabalhistas. Alguém pode dizer: “mas eles estão na rua o tempo todo” – o que é fato. Mas com a reabertura de fábricas, comércio e serviços decretada por governadores e prefeitos, essa é também a situação do grosso da classe trabalhadora.

Dias antes, em 25 de junho, havia ocorrido um fraco “Dia nacional de luta em defesa da vida e da democracia”, convocado com apenas 48 horas antecedência pela CUT nacional com a orientação de no máximo 100 participantes nas ações de rua. O resultado foram pequenos atos em Salvador, Maceió, Brasília e outras capitais (não houve nem no Rio, nem em São Paulo), mostrando que ainda há hesitações a serem superadas.

De toda forma, a reunião de 30 de junho registrou pequenos avanços. Ela convocou toda a base cutista a participar do “Dia nacional de mobilização Fora Bolsonaro” em 10 de julho, em conjunto com as frentes Brasil Popular e Povo sem Medo e outras entidades, através de atos de rua simbólicos, assembléias nas empresas que voltaram a trabalhar (a grande maioria) e carros de som convocando um panelaço às 20 horas.

Decidiu-se também, para 14 de julho, data de entrega de mais um pedido de impeachment de Bolsonaro, desta vez pelas entidades que convocam o dia 10, organizar uma grande carreata em Brasília, seguida de manifestação diante do Congresso.

Além dessa campanha Fora Bolsonaro e da assinatura do pedido de “Impeachment já” encabeçado pelo PT, a CUT também endossou a campanha “Brasil pela Democracia”, com centrais sindicais, OAB, ABI, CNBB, UNE e outras entidades, com conteúdo crítico ao governo, mas omissa quanto ao “Fora Bolsonaro”.

FUNDEB e metalúrgicos
O presidente da CNTE (educação pública), Heleno Araújo, propôs o engajamento de toda a CUT na pressão aos parlamentares pela aprovação da PEC 15, que torna permanente o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB), responsável por 65% do total dos recursos aplicados nas escolas públicas e que garante o piso nacional do magistério, cuja votação se dará proximamente.

Já Paulo Cayres, da CNM (metalúrgicos), anunciou a “semana de luta contra a Covid-19 e o governo Bolsonaro” de 13 a 17 de julho, cabendo a cada sindicato de base optar por ações presenciais que respeitem regras de segurança, já que a categoria está de volta ao trabalho em todo o país.

Direções sindicais, como a do Simesp (médicos SP) e a do Sindsep-DF (federais), enviaram moções à CUT nacional dizendo: “É hora de nossa central orientar toda a base cutista a participar das manifestações de rua, com todas as medidas de proteção necessárias (máscaras, gel, distância, segurança própria)”.

Sim, é preciso que os dirigentes sindicais cutistas e a própria direção da central saiam da “toca” e estejam junto às suas bases no combate pelas reivindicações e pelo fim do governo Bolsonaro.

Julio Turra

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