Entrevista com Dani Braz, da UNE: “Direito ao ensino público e presencial!”

Diretora da UNE exige medidas e defende a retomada das lutas

Nesta entrevista, Dani Braz, diretora de Assistência Estudantil da União Nacional dos Estudantes e militante da Juventude Revolução do PT, denuncia a falta de medidas concretas para que os estudantes tenham acesso novamente ao ensino presencial. Para ela as entidades têm responsabilidade na retomada de reuniões e iniciativas de rua para exigir as reivindicações estudantis.

O Trabalho: Após um ano de pandemia vários jovens ficaram sem estudar. Que avaliação faz dessa situação?

Dani Braz: Ao longo desse um ano o ensino à distância (Ead) foi enfiado goela abaixo dos estudantes por todos os governos e patrões, sem falar que teve escola que nem abriu. Não faltaram relatos sobre a falta de estrutura para acesso. Só nas faculdades privadas no início de 2020 mais de 600 mil estudantes já haviam evadido e nas escolas foram mais de 5 milhões sem acesso. O orçamento da União em 2021 prevê mais de 4 bilhões em cortes. Milhares de jovens não conseguiram fazer o Exame Nacional do Ensino Médio por culpa do governo Bolsonaro. Nesse período basicamente nada foi feito para garantir o retorno presencial com segurança. Portanto, nesse momento, a nossa luta está concentrada em defender o direito ao ensino público e presencial. Todos os governos são responsáveis por garantir esse direito, é por isso que os estudantes junto às suas entidades e comunidades precisam se reunir e tomar iniciativas para exigir medidas nesta direção.

Quais exigências devem ser feitas num momento como esse?
Precisamos exigir medidas como: calendário de vacinação para todos pelo SUS, testagem em massa, máscara para todos, reforma nas escolas, abertura de concurso público para ampliar o quadro de professores, passe livre, abertura de bibliotecas e restaurantes e bolsas de estudos que ajudam na situação financeira dos estudantes, para que não tenham que abandonar os estudos para trabalhar.

O que tem feito a União Nacional dos Estudantes na defesa do direito à educação?
Falta uma articulação nacional que busque a exigência de medidas para a volta das aulas presenciais e a retomada das lutas de rua. Algumas resoluções da diretoria da UNE, e também da União Brasileira de Estudantes Secundaristas, falam genericamente “a defesa da educação”. Porém, enquanto isso, os governos são omissos e irresponsáveis, muitos jovens ficam sem aulas, outros milhares sofrendo com Ead que ampliou as desigualdades.
Acho que é hora de recolocar o bloco na rua, ajudar as entidades de base, que hoje estão com dificuldade de agir, a renovar mandatos e se colocarem na linha de frente da mobilização. A quem interessa os estudantes ficarem em casa sem defender os seus direitos?

É inaceitável a destruição feita por Bolsonaro e demais governos. É possível retomar atos e manifestações como recentemente no Rio Grande do Sul e na Universidade de Brasília ou na Universidade Federal da Bahia, onde os estudantes exigem bolsas.

As entidades precisam organizar esses estudantes para tomar as ruas, seguindo todas as medidas de segurança, e exigir medidas dos governos para garantir o direito ao ensino presencial.

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