Polônia: Faleceu Edmund Baluka

Declaração do Secretariado Internacional da IV Internacional:

O Secretariado Internacional da IV Internacional saúda a memória do operário polonês e militante que acaba de falecer.

Em 1970 e 1971, Edmund Baluka dirigiu o levante dos estaleiros de Szczecin no combate às medidas da burocracia do POUP -partido único stalinista da Polônia – dirigido por Gomulka.

Os protestos se multiplicam no país. Nas grandes cidades da costa do mar Báltico. Em dezembro de 1970 explodiram greves em Gdansk, Szczecin e Gdynia contra a alta de preços. Frente a repressão ocorrem motins. Sedes do POUP e da polícia política foram atacadas. A polícia atirou e grevistas foram presos em massa. Mas a revolta obrigou a burocracia a recuar e afastar Gomulka. O novo governo de Gierek fez concessões.

Em Szczecin, o Comitê Geral de Greve baseado em comitês eleitos nas empresas transforma-se em “Comissão Operaria”, foi organizada uma milícia para “assegurar a proteção das máquinas” e controlar as rádios dos estaleiros. Após a volta ao trabalho, ele tinham a produção em mãos.

Será Edmund Baluka, presidente do comitê de greve, quem lerá na frente de Gierek a plataforma reivindicativa de 12 pontos. E, após longas horas de negociação, obterá as suas reivindicações.

Em 1972, quando presidente do sindicato dos metalúrgicos de Szczecin, no quadro do 7º Congresso da Central Sindical em Varsóvia Baluka será o único voto contra a lei que confirma a subordinação dos sindicatos ao partido.

Este voto o levará ao exílio e de 1973 a 1981 viverá no exterior.

Na França se ligará aos sindicatos da CGT-FO que apóia a luta por sindicatos independentes e também os militantes que combatiam a burocracia stalinista e o imperialismo num mesmo movimento.Conhecerá assim Pierre Lambert, dirigente da IV Internacional, que o auxiliará a passar clandestinamente seus boletins para a Polônia.

Em 1980, quando surgem as greves de Gdansk com a criação do sindicato Solidarnosc Baluka vai preparar sua volta clandestina quando aderirá ao Solidarnosc (sindicato fundando em meio as grandes mobilizações da época).

Após o golpe de Estado do general Jaruzelski em dezembro de 1981, Baluka será novamente preso junto com milhares de trabalhadores. Maltratado e agredido, não cedeu jamais. No tribunal, numa declaração política, negará a referencia da burocracia aos operários e ao socialismo. Com a anistia de 1984 será libertado e, entre 1985 e 1989, será forçado é novamente a exilar-se.

Profundamente polonês, Edmund Baluka foi um militante operário e internacionalista. Desde a juventude até sua morte nunca buscou “vencer na vida”. Sua vitória foi ter sido a vida toda um militante.

Apresentamos nossas condolências aos seus filhos, sua família, seus companheiros.

Salve a luta de Edmund Baluka, que foi e sempre será um dos nossos.

15.01.2015

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