Frente à ameaça de golpe: o que dizer do curso do PSTU?

Após Eduardo Cunha abrir o processo de impeachment, o PSTU, muito rapidamente, tirou uma nota: “Fora Dilma, Fora Cunha, Fora Temer, Fora Aécio e esse Congresso Nacional! Fora todos eles!”

Alguns dias depois reuniu-se o “Fórum Unidade e Ação”, agrupamento que, assim como a Conlutas, é dirigido pelo PSTU, e explicou sua decisão: não participar das manifestações nacionais convocadas para o dia 16 de dezembro pela CUT, MST, MTST, CMP, Intersindical e outras organizações sob o lema: Não ao golpe, Fora Cunha, e Mudança da Política Econômica.

Ah! Decidiram também não participar dos atos de domingo, dia 13, os atos do “Fora Dilma”. Um importante registro, pois seus seguidores poderiam sentir-se à vontade para vestir-se com a camisetas da CBF e ir para às ruas naquele domingo.

Tentando explicar o inexplicável, a declaração justifica assim sua posição: “As organizações que compõem o Espaço de Unidade de Ação não participarão dessas manifestações, pois trata-se da reedição das iniciativas dos dois principais campos políticos, ambos dominados por setores burgueses de peso, que disputam os rumos do pais”.

Como assim? “…dois campos dominados por setores burgueses de peso”? Até onde se sabe, os setores de “peso” que emitiram clara posição pelo golpe foram a FIESP, vários jornalões da burguesia como O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, o PSDB – agora todo ele – acompanhados, claro, dos grandes meios de comunicação de massa.

É verdade que o imperialismo e, por reflexo, setores da burguesia nacional estavam divididos entre pressionar o governo Dilma a aplicar o ajuste ou derrubá-lo. Mas, será que por detrás dessa aparentemente repentina coesão da burguesia pelo impeacheament não estará a mão do imperialismo que, frente a um não avanço das medidas do ajuste como gostaria, teria dado seu aval?

Aliás, para uma organização que diz basear-se no programa de transição, é estranho que o imperialismo inexista nem em seus textos, nem no cenário desenhado pelo PSTU. É como se ele fosse neutro, não age, não interfere. Para eles, tudo se resume a luta entre “frações da burguesia”. Uma faceta de sua política nacional-trotskista aqui é revelada.

Uma organização política séria deve apoiar-se nos fatos para explicar e provar suas posições. Mas, passados apenas alguns dias, assistimos ao desenvolvimento de uma situação que, com certeza, não dará aos dirigentes desse partido o prêmio “homens de visão”.

O que se vê é o início do desenvolvimento de uma verdadeira polarização social. Apesar da direção do PT e do governo ainda apostarem na falida política de coalizão, mais uma vez, é o movimento que vem de baixo que impõe o “nós contra eles”. De um lado, enfileiram-se os que querem enfiar o pé e acelerar o ajuste travado custe o que custar – uma exigência do imperialismo para todo e qualquer governo; de outro, alinham-se aqueles que, apoiados em suas organizações, expressam o conteúdo do voto dos 54 milhões que elegeram Dilma do PT. Aqueles que, desde a polarização do 2º turno no ano passado, optaram por um cenário melhor para prosseguir a luta por direitos e conquistas.

O PSTU, aparentemente, escolheu seu caminho e não sem defecções em suas fileiras. Afunda-se em uma política de costas para o movimento real das massas e cego frente a política que o imperialismo aplicada em todo o globo. Tudo isso, coberto por uma política auto proclamatória enquanto caminha na direção dos braços dos algozes do povo.

Entramos num período onde, tudo indica, a situação se acelera. O verão será quente em todos os sentidos. Nada está resolvido de antemão.

A pressão da situação que divide movimentos e centrais sindicais, como é o caso da própria Conlutas e Força Sindical. Divide também partidos como o Psol. A mesma pressão que vem de baixo arrasta setores do PSB e PDT.

Como orienta o programa de transição, num país como o Brasil, para ajudar as massas a realizar seu movimento, é preciso armar-se de uma política de frente única anti-imperialista capaz de coesionar os mais amplos setores em torno dos interesses dos trabalhadores e da nação.

A luta irá separar o joio do trigo. A cada dia, os trabalhadores poderão, com mais clareza, enchergar a fronteira entre as classes,  identificar quem está do lado de quem, fazer seu julgamento e tirar suas próprias conclusões.

Desde já, é preciso que cada um escolha seu lado. O PSTU optou por caminhar na contramão das massas.

Laércio Barbosa

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