Funerais de Eduardo Campos: emoção e manipulação

Ao chegar a Recife, uma carreata com batedores da polícia saiu do aeroporto com os caixões em dois carros de bombeiros.

Com os filhos de Eduardo Campos acenando às ruas e prédios foram percorridos 14 bairros do Recife numa operação “acorda povo” que só chegou ao palácio do Governo às duas da madrugada para iniciar o velório. Pela manhã, a missa. O arcebispo de Recife e Olinda e com mais 10 bispos, compararam ao calvário de Cristo!

Na hora dos pêsames das personalidades ensaios de vaias e “Fora Dilma!” foram puxados por militantes do PSB. Após homenagens de artistas locais o caixão saiu acompanhado pelo cortejo popular com muitas camisetas encomendadas para o evento e bandeiras.

Uma interminável chuva de fogos de artifícios acompanhou o féretro até o enterro. “Não vamos desistir do Brasil!” – a frase dita por Eduardo Campos no Jornal Nacional da Rede Globo na véspera de sua morte- foi o slogan repetido à exaustão, junto com “Eduardo presente, Marina presidente!”

Existiu uma manifestação espontânea de sentimento, ligada em parte também à base social do avô, o velho Arraes, mas reforçada pela mídia como tragédia familiar. O dominante foi a operação do PSB com ônibus enviados de mais de cem prefeituras do interior, com filiados, funcionários, e populares pagos. Por exemplo, a cidade de Bonito enviou seis ônibus lotados. O público, todavia, não confirmou o anuncio de 150 mil da véspera, o governo do Estado falou em 100 mil, e realmente houve de 50 a 70 mil presentes.

Edmilson Menezes, de Recife

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