Há saída. É preciso construí-la

As condições de vida que corroem as famílias trabalhadoras, a crise institucional que dilacera este país, o governo que navega na crise para avançar seu projeto, colocam uma pergunta: é possível sairmos desta situação?

Possível é. Mas não é fácil e nada será dado se não houver muita luta.

Os atos do 1º de maio, dia de luta da classe trabalhadora, sejamos francos, frustraram. Não porque o povo não esteja disposto à luta. Numa fábrica, como na Companhia Siderúrgica Nacional, a CSN em Volta Redonda (RJ), em categorias, como os servidores públicos das três esferas, há luta, há resistência (ver pág. 7). Mas, quando os que lutam “olham para cima” veem as direções de suas organizações fazendo outra coisa.

O 1º de maio que teve um ato nacional organizado pelo fórum das centrais (ver pag.6), passou ao largo da luta pelos reajustes salariais, pelo tabelamento dos preços dos gêneros de primeira necessidade, pela recuperação dos direitos usurpados, vitais em uma situação na qual a inflação tira comida da mesa da família trabalhadora e milhões trabalham com baixos salários e em empregos precários.

As mesmas famílias trabalhadoras que ao ligar a TV, tem como oferta o beija mão entre instituições, coniventes com o atual governo que provocou esta tragédia. Bolsonaro deita e rola e “nenhuma voz mais alta se levanta”. Ao contrário, as vozes que se fazem ouvir são aquelas que repetem o mantra da defesa das instituições e da Constituição de 1988 (ajambrada pelas classes dominantes e depois muito piorada), que nos fizeram chegar até aqui. O que pode pensar uma mãe e um pai de família, sem comida a dar aos seus filhos, desta cantilena? Vai atrás dela por que? Isso não põe comida no prato, não dá moradia, educação, saúde, emprego, direitos e salário.

Assim não dá, não é mesmo? Ficam em casa até porque não têm dinheiro para pagar condução.

Mas o povo não aguenta mais. E se as ruas não foram tomadas, esta hora virá. A tarefa da hora é preparar uma tomada das ruas que seja capaz de, além da indignação, demonstrar a força do povo para resolver seu próprio destino.

Neste 7 de maio, será lançada a pré-candidatura de Lula à presidência. Estaremos lá. Contrários à política que está se construindo (enredar o PT numa Federação de partidos que nada têm a ver com sua vocação original, abrir mão da expressão própria do PT na disputa do governo em vários estados, trazer a tiracolo o ex-governador Alckmin conhecido por sua tara privatista e sua repressão desenfreada) estaremos lá.

Porque, com grande parcela do povo trabalhador, vamos ajudar a construir a vitória de Lula. Mas uma vitória que seja digna deste nome. A saber, para eleger um governo que reconstrua e transforme o país, dando a palavra ao povo, com a convocação de uma Constituinte Soberana. Afinal, só o povo pode salvar a si próprio.

Enquanto o Supremo Tribunal Federal, o Congresso Nacional e o governo Bolsonaro fazem este jogo de cartas marcadas que sacrificam o povo, dizemos: é preciso romper com isso! É com este objetivo que, com o Diálogo e Ação Petista, nos engajamos na preparação de um grande ato em julho por “Constituinte com Lula” (ver pág.5).

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Esta edição 900, especial, traz um encarte sobre a situação na Europa marcada pela guerra na Ucrânia e sobre o movimento ao redor de Mélenchon, contra o governo Macron, nas próximas eleições legislativas.

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