Menos de 90 dias…

Sim, faltam menos de 90 dias para as eleições que podem livrar o Brasil do governo Bolsonaro e colocar Lula na presidência da República, como indicam todas as pesquisas.

Entretanto, na história há dias que valem por meses e meses que valem por anos. Se olharmos o que ocorre no mundo, vemos uma guerra na Europa sem prazo para terminar, uma crise econômica aguda que já vinha de antes e só se complica com alta da inflação e anúncio de recessão. Em toda a parte os trabalhadores e povos buscam o caminho da resistência contra ataques redobrados às suas condições de vida e ao fazê-lo provocam crises políticas em governos a serviço do capital, como se vê até no Reino Unido, com a renúncia de Bóris Johnson, e nos EUA, com a baixa popularidade de Biden.

O que, então, nos levaria a pensar que as próximas semanas e meses no Brasil serão “um passeio” rumo a uma vitória eleitoral anunciada? Só muita ingenuidade ou ignorância. O aumento da miséria e da fome em nosso país é o mesmo que levou os indígenas do Equador a uma rebelião que parou o país por 18 dias contra a alta dos preços dos combustíveis e alimentos.

Bolsonaro não esconde suas intenções golpistas, seja no que planeja para 7 de setembro, seja diante de sua provável derrota eleitoral, e mesmo assim conta com o apoio da oposição no Senado, inclusive do PT, para aprovar a sua PEC de “auxílios” limitados a três meses (200 reais a mais no Auxílio Brasil, vales caminhoneiro e taxista), recebendo de graça um “estado de emergência” que no fechamento desta edição estava para ser aprovado também na Câmara dos Deputados.

Ora, porque o PT não levantou antes exigências de atendimento à situação do povo, até para denunciar a inoperância do governo? Incompreensível, assim como a falta de apetite de organizações sindicais e populares de ocuparem as ruas com mobilizações exigindo aumento de salários, tabelamento de preços, encostando o governo na parede. “É que só faltam 90 dias” dirão alguns…Em 2 de julho, mais de mil sindicalistas, militantes de movimentos populares, jovens, lotaram a Casa de Portugal em São Paulo atendendo ao chamado do Diálogo e Ação Petista para realizar um ato político pela Constituinte com Lula. Um ato preparado com mobilização nos estados para enviar delegações, discussões na base sobre os desafios colocados para um governo encabeçado pelo PT para reconstruir e transformar o Brasil, dentre eles o de construir verdadeiras instituições democráticas que em 200 anos nunca existiram neste país.

Um participante desse ato disse “ganhei muita energia para a luta”. Imagine-se a energia que seria liberada no seio do povo trabalhador se organizações poderosas, como o próprio PT ou a CUT, estivessem convocando-o a lutar, agora e já, para impor o atendimento emergencial de suas necessidades vitais. Isso sim impediria Bolsonaro de ganhar tempo para suas manobras golpistas e asseguraria uma vitória eleitoral que abrisse as portas para as mudanças necessárias. O DAP, reforçado pelo ato Constituinte com Lula, seguirá ocupando o seu lugar nesse combate.

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