Metalúrgicos da Cinpal em estado de greve

Marcelo em assembleia na matriz da Cinpal, em Taboão da Serra

Desde o início do mês, os trabalhadores da forjaria Cinpal, que produz autopeças para a indústria de veículos pesados, estão em estado de greve. A decisão foi tomada no dia 1° de agosto, em assembleia simultânea das três unidades da empresa, quando os metalúrgicos rejeitaram a proposta de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e decidiram reforçar a mobilização por uma nova proposta e pelo atendimento da pauta de reivindicações trabalhistas.

“Os trabalhadores têm clareza da produção e de seus direitos, e só vão aprovar quando a proposta e resposta às reivindicações forem condizentes com seus anseios”, avalia Marcelo Mendes, coordenador do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região (Sindmetal) nos municípios de Embu das Artes, Itapecerica da Serra e Taboão da Serra do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região. Desde então, o sindicato já se reuniu duas vezes com a empresa, e a negociação ainda não avançou. A mobilização segue.

Sindicato faz “esquenta” da campanha salarial
O Sindmetal também está negociando a PLR com outras empresas, mas, ao mesmo tempo, decidiu antecipar as atividades da campanha salarial. A data-base da categoria (ou seja, a data de referência para renovação do acordo salarial) é em 1° de novembro, e a campanha pode ser impactada pelas eleições em outubro e pela Copa do Mundo em novembro.

O cenário segue, até aqui, com a inflação em alta: em julho, apesar da queda, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) fechou em 10,12%, e a diretoria do Sindmetal aponta que para os trabalhadores que ganham menos, para os quais o preço dos alimentos pesa mais no orçamento familiar, as perdas chegam perto de 20%.

“Antecipamos os seminários regionais que fazemos todo ano”, explica Marcelo. O Sindicato está presente em 12 municípios. Cada um dos seminários regionais abarca partes dessas cidades, e é construído a partir de assembleias com os metalúrgicos nos locais de trabalho. “A intenção é fazer a agitação com os trabalhadores para que eles entrem no clima da campanha salarial. Depois, mais à frente, faremos um seminário geral para aprovar a pauta de reivindicações”.

No caso dos metalúrgicos de Osasco e região, a negociação com os sindicatos patronais que representam as empresas metalúrgicas é feita estadualmente a partir da Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo, filiada à Força Sindical.

Priscilla Chandretti

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