A visita de Nancy Pelosi a Taiwan

Um outdoor dá as boas-vindas à presidente da câmara dos deputados dos Estados Unidos Nancy Pelosi em Taipei, Taiwan, em 2 de agosto. Pelosi é a mais alta representante estadunidense a visitar a ilha em 25 anos.

Segundo a Business AM (3 de agosto): “É a incompreensão quase geral da mídia americana. Não estamos falando da imprensa conservadora, que tem uma aversão natural à “crazy Nancy”, mas do New York Times, do Washington Post e mesmo da Bloomberg. A presidente da câmara dos deputados foi a Taiwan contra o conselho de Biden, apesar das ameaças de Pequim, e num contexto internacional já muito tenso”.

Para o diário empresarial japonês Nikkei Asia, a visita de Pelosi a Taiwan “pode ter avançado o risco de uma crise EUA-China, enquanto os preparativos em Taiwan e no Japão ainda não são adequados. (…) O problema com a visita de Pelosi é que ela força a administração Biden a enfrentar as consequências das ações de um político, por mais bem fundamentadas que sejam.

Biden admitiu aos repórteres que seus conselheiros militares achavam que a viagem de Pelosi a Taiwan era uma má ideia. No entanto, ele não foi capaz de impedir uma iniciativa de um braço do governo estadunidense. Isto revela uma quebra na comunicação entre as duas figuras do Partido Democrata. (…) Com os democratas esperando perder sua maioria na câmara dos deputados nas eleições de meio mandato de novembro, seus dias como porta-voz parecem contados. Neste contexto, a visita parece mais destinada a uma realização pessoal, do que fazer parte da estratégia dos EUA em relação à China (…).

Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores chinês lembrou em 2 de agosto: “Há apenas uma China no mundo, Taiwan é parte integrante do território chinês e o governo da República Popular da China é o único governo legal que representa toda a China. Isto está explicitamente consagrado na Resolução 2758 da Assembleia Geral da ONU de 1971. Desde a fundação da República Popular da China em 1949, 181 países estabeleceram relações diplomáticas com a China com base no princípio de uma só China.

Em 1979, os Estados Unidos, no Comunicado Conjunto China-Estados Unidos sobre o Estabelecimento de Relações Diplomáticas, confirmaram claramente o compromisso: ‘Os Estados Unidos da América reconhecem o Governo da República Popular da China como o único governo legal da China. Neste contexto, o povo dos Estados Unidos manterá relações culturais, comerciais e outras relações não oficiais com o povo de Taiwan’.”

E, neste sentido, declarou: “O poder executivo dos Estados Unidos tem a responsabilidade de impedir essas visitas. A presidente Nancy Pelosi é uma dirigente em exercício do Congresso dos EUA. Sua visita a Taiwan e qualquer atividade que realize lá, sob qualquer forma e por qualquer razão, constituem uma grande provocação política para aumentar os intercâmbios oficiais entre os Estados Unidos e Taiwan. A China jamais o aceitará. O povo chinês o rejeita absolutamente”. A visita intempestiva de Nancy Pelosi a Taiwan é certamente uma clara expressão da crise nas cúpulas do imperialismo estadunidense.

Albert Tarp

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