México: as empresas dos EUA são mais importantes que a vida dos operários?

Dois acordos da Secretaria de Saúde ordenam o confinamento com a palavra de ordem “fique em casa!”. Esses acordos também ordenam “a suspensão imediata… das atividades não essenciais” (Acordo de 21 de abril), e que “as relações trabalhistas serão mantidas e aplicadas de acordo com contratos individuais… contratos coletivos, contratos-lei ou Condições Gerais de Trabalho correspondentes (Acordo de 24 de março). Os acordos são avaliados pela Secretaria de Trabalho e Previdência Social.

No norte do país, as maquiladoras se negam a fechar. Houve muitos casos em que os trabalhadores, alarmados pela doença, pararam o trabalho, saíram das empresas e exigiram a presença das autoridades do Ministério do Trabalho. Em algumas ocasiões, houve demissões, principalmente em resposta à suspensão de atividades.

Em Mexicali, a senadora Alejandra León percorreu os arredores de diversas maquiladoras para verificar a suspensão do trabalho.

O jornal La Jornada informa, no dia 26 de abril, que 141 plantas de empresas maquiladoras foram fechadas pela Secretaria de Trabalho e Previdência Social.

Pressão dos EUA
Agora, o governo López Obrador está sendo pressionado pela embaixada dos Estados Unidos no México e pela Associação Nacional de Manufatureiros dos Estados Unidos. No dia 29 de abril, onze senadores dos EUA escreveram uma carta a Mike Pompeo, secretário de Estado, na qual afirmam que “rogam ao Departamento de Estado a que seja coordenado com o governo mexicano para que se esclareça a definição de ‘serviços essenciais’ e dessa maneira evitar interrupções na cadeia de produção dos Estados Unidos”. Acrescentam que “o México desempenha um papel essencial na cadeia produtiva estadunidense”.

Do ponto de vista do governo dos Estados Unidos e seus poderosos empresários, é insuportável o confinamento, a paralisação da atividade econômica e a paralisação da exploração dos trabalhadores.

De seu lado, Bonilla Valdez, governador do estado, abre a porta para a retomada do trabalho de 35 empresas maquiladoras. Agora, já há atividade em Skyworks, Clover (antiga Volutech), que empregam mais de quatro mil pessoas cada uma, Dataproducts e muitas outras.

Os trabalhadores dizem que chamam a Secretaria do Trabalho, mas não recebem resposta, ou lhes dizem “é verdade, sua empresa não é essencial, mas não é o caso de que a fechemos, já que só permanecerá fechada uma semana e logo vocês terão que voltar ao trabalho em função de novas ordens”.

Essa resposta desmoraliza os trabalhadores. Dizem que “os gerentes só dão mostras de preocupação com a nossa saúde nos primeiros dias de retorno, logo depois, só se preocupam com a produção”.

Isso nos faz remontar a experiências anteriores e talvez atuais nestas empresas, do manejo de substâncias perigosas para a saúde (cancerígenas, por exemplo), como o denunciam investigadores do Instituto de Investigações Sociais da Universidad Autónoma da Baja California (UABC).

Apesar das terríveis condições que prevalecem durante a pandemia, parte dos trabalhadores das maquiladoras abandonaram o trabalho, pararam as atividades para proteger sua vida. Essa experiência ajudará a empreender novas lutas por suas demandas, como o fizeram seus companheiros de Matamoros em janeiro-fevereiro de 2019 (1).

É necessário se organizar para defender o direito à vida, a uma vida digna, a melhores salários, a melhores condições de trabalho e às oito horas de trabalho por dia.

(1) Referência à greve de 70.000 trabalhadores do setor de autopeças na cidade de Matamoros,

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