México: Encontro Nacional das Resistências soma-se à Paralisação Cívica de 1º de dezembro

“Aparição com vida dos 43 estudantes secundaristas desaparecidos!”

Para entender a situação:

Cidade de Iguala, México, dias 26 e 27 de setembro: seis pessoas, entre elas três estudantes, são assassinadas pela polícia quando participavam de uma manifestação que teve outros 25 feridos e 43 estudantes presos continuam desaparecidos.

Investigações apontam que policiais teriam entregado os 43 estudantes, filhos de camponeses pobres da Escola Normal Raúl Isidro Burgos da cidade de Ayotzinapa, a um cartel das drogas, revelando a ligação do narcotráfico com as instituições do Estado e os partidos institucionais.

A barbárie de Iguala causou enorme indignação no povo mexicano.

Primeiro na juventude que realizou múltiplas manifestações em todo o país. Em seguida o movimento recebeu a solidariedade das organizações sindicais e populares e da população em geral e tem levado milhares de pessoas às ruas, como aconteceu em dia 5 de novembro quando mais de cem mil pessoas manifestaram-se na Cidade do México, capital do país.

Abaixo, apresentamos na íntegra documento de Encontro que reuniu centenas de entidades e organizações políticas, convocado pela Escola Normal Rural de  Ayotzinapa, Sindicato Mexicano dos Eletricitários (SME), Organização Política dos Trabalhadores e do Povo (OPT) e outras entidades:

Resolução do Encontro Nacional das Resistências

As organizações sociais, civis, populares e comunitárias reunidas neste dia 20 de novembro na sede do Sindicato Nacional do Eletricitário do México consideram:

  • Os acontecimentos de 26 e 27 de setembro em Iguala Guerrero desnudaram as perversas relações entre o poder político e a delinquência organizada.
  • São responsáveis tanto pelo assassinato de três estudantes secundaristas e três cidadãos como pela prisão e desaparecimento de 43 estudantes secudaristas:os meios de comunicação monopolizados, que de forma sistemática, criminalizam os protestos sociais;os partidos institucionais que vendem ao melhor pagador os cargos de representação popular assim como as funções públicas; os níveis de governo: federal, estadual e municipal, por sua participação direta, omissão e cumplicidade na prisão e desaparecimento dos 43 estudantes; poder executivo sustenta uma política de sistemática violação dos direitos humanos fundamentais do povo do México.
  • A repressão e a criminalização dos protestos sociais tem como objetivo conter, desarticular e exterminar a resistência indígena, camponesa, estudantil, operária e popular ao projeto colonizador a um regime que vem instaurando através de imposição as chamadas Reformas Estruturantes que significam a entrega do nosso território, recursos naturais, água e petróleo às empresas transnacionais, com a consequente perda da soberania nacional e dos nossos direitos sociais.
  • Acusamos a Enrique Peña Nieto de desestabilizar o projeto histórico independente dos mexicanos, fazendo uso ilegal e abusivo de extrema violência das forças policiais e militares do Estado mexicano para servi aos interesses alheios à nação.
  • O regime político carece de legitimidade frente à milhões de mexicanos e mexicanas que, hoje, se mobilizam por todo o páis em busca da aparição com vidados estudantes desaparecidos. Seus partidos, a classe política que explora em seu benefício o exercício do poder desde cima, as instituições do Estado que gozam de impunidade para impor um neocolonialismo de um futuro escravo para nossa nação, todos, carecem de credibilidade frente à luta social em curso. Um regime que se move desde e para os interesses do capital internacional.

Por todas essas considerações, exigimos:

a) Aparição com vida dos 43 estudantes secundaristas desaparecidos há quase dois meses.

b) Condenação de todos os responsáveis por cumplicidade, ação ou omissão frente aos fatos de 26-27 de setembro em Iguala Guerrero.

c) A aprovação das reformas estruturais, na educação, trabalhista, energética, nas telecomunicações e fazendárias violentam os direitos dos mexicanos.

d) Liberdade imediata de todos os presos políticos.

e)Fim da criminalização dos protestos sociais.

f)Saída de Enrique Peña Niet como presidente da república.

g) Somamo-nos às ações de desobediência civil e pacífica da Paralisação Cívica Nacional de 1 de dezembro e da Tomada Simbólica da Cidade do México em 6 dezembro.

h) Mantenha-se a participação ativa das diversas organizações nas mobilizações pela aparição com vida dos 43 estudantes secundaristas de Ayoztinapa Guerrero.

Atenciosamente.

Assinam:

Padres de Ayotzinapan, Normal Rural “Isidro Burgos” de Ayoztinapa, Sindicato Mexicano de Electricistas, Jornadas por la Defensa de la Tierra , el Agua y la Vida , Nueva Central de Trabajadores, Congreso Popular, Facultad de Economía de la UNAM , Asamblea Nacional de Usuarios de la Energía Eléctrica , Facultad de Ciencias Políticas y Sociales de la UNAM, Los Cabos Baja California Sur, Comunidad la Rivera , Asamblea de Posgrado de La UNAM , Cooperativa de trabajadores de Pascual, Sección XIV, Guerrero de la CNTE , CETEG, Sección XVIII Michoacán de la CNTE , Sindicato de Trabajadores del Transporte Publico del D.F., Fundación Pro Acción, UPCI, Trabajadores Migrantes, Vía Orgánica A. C., Facultad de Ciencias de la UNAM , Movimiento de la Liberación Nacional , Frente de Pueblos en Defensa de la Tierra , Atenco, Comité Nacional de Estudios de la Energía , Alianza de Tranviarios de México, Sindicato Nacional de Trabajadores de la Caja de Ahorros de lós Telefonistas, Sindicato Único de Trabajadores de la Universidad Autónoma de la Ciudad de México, Confederación de Jubilados, Pensionados y Adultos Mayores de México, Sindicato de Trabajadores Académicos de la Universidad Autónoma de Chapingo, Consejo Tiyut Tlali, FUPES, Sección XXII de la CNTE de Oaxaca, Colectivo “Los Escribientes”, Colectivo “Siniestra”, Punto Final, UAM Iztapalapa, Frente Popular de La Ciudad de México, Centro de Investigación Laboral y Asesoría Sindical, Coordinadora Nacional Plan de Ayala, Organización Política del Pueblo y los Trabajadores, Asociación Nacional de Empresas para el Campo, Trabajadoras de Occidente, , Bloque de Organizaciones Democráticas del Instituto Politécnico Nacional, Comité Estudiantil Metropolitano, Campaña Sin Maíz no hay País, Cooperativa Inla Kech, Comité 68, Sindicato Democrático de Trabajadores de la Procuraduría Social del D. F., Frente Nacional de Movimientos y Organizaciones Populares, Sindicato Independiente de Trabajadores de la Universidad Autónoma Metropolitana, Unión Popular de Vendedores Ambulantes 28 de Octubre de Puebla, Sindicato Internacional de Constructores de Elevadores, Sindicato de la Unión de Trabajadores del Instituto de Educación Media Superior, Asociación Sindical de Trabajadores del Instituto de Vivienda del D.F., Facultad de economía de la UNAM , Organización de Colonos del Ajusco Medio, Asociación de Profesores, Jubilados y Pensionados de Chapingo, Encuentro Comunitario, Escuela Normal Superior de México, Facultad de Filosofía y Letras de la UNAM , Coalición de Profesores de Asignatura y Asistentes de Investigación del INAH, Organización Nacional del Poder Popular, Consejo de Ejido y Comunidades Opositora a la Presa La Parota, Consejo Nacional de Trabajadores, El Barzón, Pro-acción, Central Unitaria de Trabajadores, Movimiento Nacional Organizado “Aquí Estamos” – Frente Popular de la Ciudad de México, Jóvenes Ante la Emergencia Nacional , Asamblea Popular del Pueblo Juchiteco, La Palma, Partido Obrero Socialista, Encuentro Comunitario, Unión Nacional de Técnicos y Profesionistas Petroleros.

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