A Covid-19 mata mais na periferia e campanha de vacinação privilegia os mais ricos

A estratégia de combate ao Coronavírus, não levou em consideração os lugares mais afetados pelo Covid-19, durante o curso da pandemia.

Com moradias precárias, a periferia das grandes cidades, é onde residem a maioria do povo trabalhador, em espaços reduzidos e sem condições de fazer isolamento social e que dependem do transporte público. Para esses trabalhadores, foram oferecidas como opção ficarem em casa e morrer de fome ou sair para o trabalho e morrer pelo vírus.

E a desigualdade social, se manifestou também nas internações hospitalares e no número de mortos pelo Covid-19.

Se as mortes caudadas pelo covid-19 atingem mais os pobres e pretos da periferia, como mostra estudo da UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais, as vacinas privilegiam os mais abonados e brancos, moradores de bairros mais ricos na cidade de São Paulo, como mostra estudo realizado pela LabCidade, laboratório USP – Universidade de São Paulo, aumentando ainda mais a desigualdade social em nossa cidade.

De acordo com a USP, levando em conta dados fornecidos pelo Ministério da Saúde, até o dia 16 de maio, 16% de moradores de bairros mais ricos, como Moema, Pinheiros e Consolação, com uma taxa de mortalidade entre 10 e 20 por 10 mil habitantes, tinham sido vacinados pelo critério de idade, com uma dose de vacina.

Já os bairros onde estão os mais pobres e negros, como Cidade Tiradentes, Parelheiros e Jaraguá, onde a taxa de mortalidade atinge 50 por 10 mil habitantes, a taxa de vacinação pelo critério da idade, foi de 4% a 8% da população.

Ao priorizar a idade, como o principal critério para a vacinação e não levar em conta os bairros mais atingidos pelo Covid-19, os governos ampliam ainda mais desigualdade em São Paulo.

A pandemia não é a causa, mas ela não só escancarou aos olhos de todos a desigualdade social, como mostrou a incapacidade dos governos, de lidar com as demandas do povo trabalhador, onde os fracos não têm vez e tem cada vez menos chance de viver.

A pandemia, vai continuar matando mais o trabalhador pobre e preto da periferia, mas ele serão substituídos por outros, pois a roda da economia tem que continuar e dando lucro para poucos.

Oswaldo Martinez, é médico em São Paulo

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