Sem teste, sem controle

Sem a testagem, combate à pandemia fica no escuro

Nenhuma outra estratégia substitui o diagnóstico da doença e as ações decorrentes de um exame positivo. A realização dos testes e sua cadeia de ações operada pelo Sistema Único de Saúde reduziriam a dissipação do vírus e conteriam seu curso de infectividade.

Mas como divulgado pela Fiocruz, a falha na testagem em massa contribuiu para o aumento de casos graves de Covid-19 no Brasil. E ainda há 6,5 milhões de testes estocados em Guarulhos com prazo de validade estendido!

Segundo os pesquisadores da Fiocruz a testagem no país não tem planejamento nem indicadores de confiabilidade nos resultados. Diego Xavier, epidemiologista da Fundação, relata que um dos problemas é a descentralização da compra e da distribuição de testes. “Isso trouxe a fragmentação da informação e ainda onerou de forma significativa os cofres públicos, já que a compra centralizada de testes traria vantagem na negociação e a distribuição coordenada dos testes e proporcionaria maior clareza da informação”. “O grande volume de testes positivos também evidencia a baixa capacidade de testagem e a permanência da circulação do vírus, gerando o descontrole da epidemia”, cita o relatório da Fiocruz.

Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) de acompanhamento das ações de enfrentamento ao Covid-19 divulgado no fim de outubro apontou a falha que é “a falta de uma estratégia de planejamento nacional para o enfrentamento da pandemia”, explicou o ministro responsável pelo relatório, Benjamin Zymler.

O TCU determinou ao Ministério da Saúde a elaboração de uma política de testagem da Covid-19, estabelecendo: a quantidade de testes a serem adquiridos, o público-alvo, o prazo para o atendimento, a frequência dos testes a serem aplicados aos integrantes do público-alvo e os critérios para distribuição de testes entre os estados e municípios.

O Ministério da Saúde terá de garantir e monitorar estoque estratégico de medicamentos para o atendimento de casos suspeitos e confirmados, além de monitorar o estoque de medicamentos no âmbito federal e estadual.

Juliana Salles

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