União nacional com o genocida?

Em 24 de março – dia em que as centrais sindicais convocaram um “lockdown dos trabalhadores” e até hoje não se sabe quem “ficou em casa e não foi trabalhar” – foi enviado, na surdina, um ofício ao presidente do Congresso e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM), assinado por dirigentes de 10 centrais, além das seis “reconhecidas”, a CGTB, Intersindical, CSP-Conlutas e a Pública, propondo uma série de medidas.

Dentre elas está o auxílio emergencial de 600 reais; a “renovação das medidas de proteção dos empregos e salários” (seriam as mesmas que reduziram salários ou suspenderam contratos de 10 milhões de trabalhadores por acordos individuais?); “apoio às micro, pequenas, médias e grandes empresas” (até grandes empresas, hein?!); “fortalecer iniciativas de lockdown” de governadores e prefeitos; apoiar a quebra de patentes das vacinas; recursos para a Saúde e até mesmo a discussão de um “Projeto Nacional de Desenvolvimento”.

Mas aqui queremos chamar a atenção para o ponto 5 do ofício: “Criar no âmbito do Congresso Nacional uma Comissão Nacional de Enfrentamento da Crise Sanitária e Econômica, com participação dos poderes, dos entes subnacionais e da sociedade civil organizada”.

É espantoso! Dirigentes de centrais sindicais propõem ao Congresso que instale uma Comissão composta pelos “poderes” – o que inclui o Judiciário (seria o STF?) e o poder executivo federal, cujo titular é o genocida Jair Bolsonaro – “entes subnacionais” (governadores e prefeitos) e a “sociedade civil organizada”, onde as centrais teriam assento ao lado de entidades dos empresários e outras.

Logo, o que está sendo proposto é uma União Nacional de todos contra o vírus e a crise econômica, incluindo o presidente da República (poder executivo), que é o principal responsável pelo colapso econômico, social e sanitário que o país atravessa.

Além de contornar a luta pelo fim do governo Bolsonaro, tal proposta de “união nacional” é a mesma que fazem todos os governos a serviço do capital mundo afora, com o objetivo de paralisar a luta e a revolta dos trabalhadores e povos, integrando as organizações sindicais a órgãos de gestão da pandemia e da crise. O incrível é que dirigentes de todas as centrais subscrevam uma proposta como essa!

Julio Turra

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