Venezuela: a guerra econômica e a resposta dos trabalhadores

Diante da crise, trabalhadores buscam reconstruir o movimento sindical independente.

Há 14 anos a Venezuela vem sendo assediada por tentativas de desestabilização e golpes agenciados pelo imperialismo. O mais recente previa a realização, no dia 12 de fevereiro, de ataques aéreos a edifícios estatais e a ativação das “guarimbas” (bloqueios de ruas) em todo o país com a imediata constituição de um governo transitório.

O plano foi desarticulado resultando na prisão de sete militares e do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma. Prossegue, no entanto, a sabotagem econômica com a subtração de mercadorias, especulação de divisas e contrabando, que agravam a difícil situação econômica do país – cujo governo não se orienta de maneira coerente por uma política de ruptura com o imperialismo.

Há uma enorme pressão para obrigar o governo a aplicar um duro plano de ajuste, incluindo o aumento da gasolina, a redução do gasto social, a supressão do controle de preços e o fim dos controles cambiais.

Mas, para surpresa de muitos, o presidente Maduro vem tomando medidas em sentido contrário. Manteve, para 2015, o decreto que restringe as demissões de trabalhadores e concedeu em janeiro um reajuste de 15% no salário mínimo extensivo às aposentadorias e aos salários dos servidores públicos – ao longo de 2014, o salário mínimo foi reajustado conforme o índice de inflação de 68%. A esse salário mínimo se integra, ainda, o vale-alimentação cujo valor varia de 158 a 238 dólares mensais. Maduro também determinou a abertura de negociações para realizar acordos coletivos na administração pública.

O movimento sindical

De um lado está estruturada o que chamamos de direita sindical – agrupando setores golpistas junto com autoproclamados esquerdistas – que acompanha a direita política pro-imperialista, com manifestos e atos de rua contra o governo.

De outro lado, está o sindicalismo que se situa claramente num terreno de luta anti-imperialista e que se alimenta fundamentalmente das conquistas trabalhistas – muitas delas inscritas na nova lei orgânica do trabalho (LOTT). Ele é hoje representado pela Central Socialista Bolivariana dos Trabalhadores (CSBT), por diversos sindicatos independentes e por setores da União Nacional dos Trabalhadores (UNETE) que se mantiveram fiéis à origem dessa central, criada em 2003 em resposta ao golpe de estado fracassado contra Chávez.

Nesta situação está sendo impulsionada a Corrente Unidade Sindical (CUS) que reúne sindicalistas para lutar pela unidade orgânica dos sindicatos, por sua autonomia e independência, em defesa da nação, contra a intervenção imperialista, em defesa das reivindicações e direitos constitucionais do povo trabalhador, levantando uma plataforma de exigências com as reivindicações econômicas e políticas ao governo.

Esse movimento aponta para a legitimação de uma central sindical que agrupe os trabalhadores, apoiando-se na existência, atualmente, do registro nacional sindical que estabelece uma data confiável para realizarmos as eleições sindicais. Esse é o caminho para o agrupamento da classe porque nós trabalhadores somente seremos classe se construirmos nossas próprias organizações em nosso próprio terreno.

Alberto Salcedo

Artigo anteriorJornal O Trabalho – Edição nº 762
Próximo artigoArgentina sacudida por manifestações