Apresentação da candidatura de Markus Sokol à presidencia do PT

CONSTITUINTE POR TERRA, TRABALHO E SOBERANIA!

Após as manifestações de junho, puxadas pela juventude, agora entram em cena os trabalhadores com suas organizações sindicais e os movimentos populares.

10 anos depois do PT chegar ao governo, quando o povo trabalhador retoma com força nas ruas a luta por suas aspirações mais profundas, qual a responsabilidade do PT?

O momento é grave e exige uma verdadeira discussão.

Desde o ano passado, durante o julgamento da Ação Penal 470 no STF, os militantes se perguntavam onde estava a direção do Partido. Agora, quando as manifestações abalam as instituições e abrem uma crise política, onde está a direção do PT?

Quero discutir o que o PT deve fazer. Não aceito a chantagem dos que querem desestabilizar a presidente Dilma. Quero que o governo faça o que tem que ser feito. Avançar a reforma agrária, recuperar o petróleo 100% para o Estado, acabar com o superávit primário para destinar o Orçamento ao transporte, à saúde e à educação.

Ao apresentar a candidatura quero discutir com todo o partido. Sim, para chegar lá, é necessária uma profunda reforma do Estado, de cabo a rabo.

O PT deve assumir a sua responsabilidade e abrir uma saída positiva. A palavra ao povo: Plebiscito, Assembléia Constituinte!

Companheiros e companheiras,

Após dez anos de governo da “coalizão” encabeçada pelo PT, com as conquistas do movimento social em termos de salário e emprego (que não são benesses da “aliança”), constato, todavia, que o principal, o que nos levou a fundar o PT, não foi feito.

É por isso que, junto com outros companheiros de diferentes trajetórias no PT, ajudei a formar o Fórum de Diálogo Petista, onde discutimos propostas e iniciativas para ajudar a luta dos trabalhadores.

Somos conscientes de que os poderosos querem acuar e dissolver o PT.

Todos conhecem as diferenças de opinião que existem dentro do PT, inclusive minha posição contra a “política de alianças” e seu colateral, a corrupção e o “caixa dois”. Mas não é disso que se trata na AP 470. Seu objetivo é condenar o próprio PT. Com crimes não-provados (compra de votos e desvio de dinheiro público), pretendem julgar a “exceção”, o PT, para preservar a “regra”, ou seja, o sistema político-partidário baseado no “caixa dois”.

A verdade é que as forças que há dez anos são derrotadas na eleição presidencial estão se valendo do artifício da “judicialização da política” e da “criminalização dos movimentos sociais”, para voltar a se impor. E são as mesmas forças que tentaram manipular as manifestações de junho.

Enganam-se a direção do PT e o governo, se pretendem “virar a página” e encarar 2014 como “mais uma eleição” no Brasil. Basta olhar os países do continente onde as forças da reação, apoiadas no imperialismo, se lançam para recuperar posições perdidas, até com golpes de Estado.

Enganam-se, igualmente, a direção do PT e o governo, se imaginam contornar as pressões da crise mundial fazendo mais desonerações fiscais e da folha de pagamentos, privatizações de portos, aeroportos, estradas e áreas petrolíferas. Isso é contrário ao interesse popular e só vai alimentar mais as exigências dos capitalistas.

SOU CANDIDATO PARA REERGUER AS BANDEIRAS DO PT!

Para que o PT diga: “Dilma, Pare as privatizações”. Lute para revogar a Lei das OS’s e lute contra as políticas privatistas em todos os níveis.

Sou candidato para que o PT defenda a Punição dos crimes da Ditadura e a revogação da Lei de Anistia.

Para que o PT defenda de fato a reforma agrária, os interesses dos quilombolas e dos extrativistas, e a demarcação das terras indígenas.

Para que o PT defenda o aumento de verbas para a educação, a saúde e o transporte, a melhoria geral dos serviços públicos, com uma política salarial para os servidores, o que passa pelo fim da ditadura da dívida através do superávit fiscal primário.

Sou candidato para que o partido posicione-se pela imediata retirada das tropas do Brasil da missão da ONU, que há 9 anos viola a soberania do Haiti.

Sou candidato para que o PT não abra mão de defender os direitos dos oprimidos, dos negros contra a discriminação, e das mulheres ao aborto assistido.

A PALAVRA AO POVO!

Defendo Candidatos Próprios em 2014, numa aliança limpa, por uma plataforma social e nacional, com o PCdoB e setores populares de partidos como o PSB e o PDT – não a “aliança nacional” com o PMDB de Temer e Sarney –, para governar apoiado nas organizações populares e sindicais.

Aos que advogam com a “governabilidade”, argumento com a necessidade da reforma política para sairmos da armadilha do “presidencialismo de coalizão”. Defendo uma reforma que:

– estabeleça a proporcionalidade (“um eleitor, um voto”; não como hoje, onde 1 voto de Rondônia equivale a 11 de S. Paulo)

– acabe com o Senado oligárquico anti-democrático

– introduza o financiamento público exclusivo das campanhas

– garanta o voto em lista

Sim, é necessária uma Assembléia Constituinte. Ela pode ser convocada por Plebiscito. Devolver a palavra ao povo!

Uma Assembléia Constituinte de verdade – não a mera atribuição de poderes constituintes ao Congresso, como em 1986 – para fazer a reforma política de cabo a rabo e, enfim, abrir caminho às mais profundas aspirações populares de justiça social e soberania nacional.

REFORMA POLÍTICA DO PT!

O PED é o espaço de debate existente no PT. Vamos a ele, mas lutando pela reforma do PT.

Chegou a hora de devolver a palavra aos militantes!

O PED, na prática, restringiu a influencia dos filiados. Ao invés deles elaborarem propostas desde a base, são convocados a “referendar” alternativas prontas que vem das cúpulas.

Frente ao mal-estar, maquiaram novas regras para revitalizar e moralizar o PED, mas não passaram no 1º teste! O PED é um irreformável ritual viciado de arregimentação de votos por quem têm mais meios de acesso aos filiados.

Por isso, o primeiro passo da reforma do PT é a volta da representação direta, com a eleição das direções em todos os níveis pelos delegados em Encontros e Congressos.

 

QUEM É

Markus Sokol, 59 anos, economista, integra a Corrente O Trabalho do PT. Ainda jovem, participou das mobilizações em seu colégio. Na luta contra a ditadura militar foi preso e torturado pelo DOI-CODI. Dedicou-se à organização independente dos trabalhadores. Ajudou a reconstruir o DCE-Livre da USP. Participou da construção da Oposição Metalúrgica de SP. Foi delegado no Congresso de Fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Organizou as campanhas pela Ratificação da Convenção 138 da OIT (proibição do trabalho infantil) e Contra a Alca. Participou de conferências internacionais contra a dívida, em defesa da revolução nicaraguense, contra a guerra no Iraque e pela paz entre os povos. Tem livros e estudos publicados sobre vários temas. No PT desde a fundação, organizou o Diretório da Capital, em SP, e foi Secretário de Comunicação da campanha presidencial de Lula em 1994. Participou em 2008 da delegação ao Haiti pela Retirada das tropas brasileiras da Minustah.