Grécia: ataques aos direitos e drama dos refugiados

Refugiados do Campo de Moria, na Grécia. Previsto para 3 mil abriga 20 mil pessoas

Na Grécia, a Iniciativa dos Trabalhadores da Universidade de Atenas denuncia que “em nome da luta contra o Covid-19, uma série de medidas reacionárias e anti-operárias são tomadas, o que alguns queriam passar há muito tempo. Horas extras não registradas, horário flexível institucionalizado assim como sua extensão (por exemplo nos supermercados), o trabalho à distância, a transferência de pessoal para outros serviços, etc. Não vamos nos enganar, essas medidas excepcionais vieram para ficar (…). Em breve, as ‘aglomerações’ serão proibidas e teremos acabado com as manifestações para sempre. A questão diz respeito ao coração do capitalismo. A crise é uma ocasião.”

O sindicato dos marinheiros Penen não está disposto a tolerar as demissões de centenas de marinheiros anunciadas pelos armadores, governo e o sindicalismo alinhado à sua política, sob pretexto do coronavirus. “Declaramos categoricamente nossa oposição a qualquer tentativa de demissão ou de não recontratação na entrada do verão, que começa em primeiro de abril de 2020.”

O drama dos refugiados
Desde o desenvolvimento da epidemia do coronavirus, não se ouve mais falar das dezenas de milhares de refugiados submetidos às piores condições.

Para falar apenas do caso daqueles estacionados em acampamentos nas ilhas gregas do mar Egeu, a médica coordenadora dos médicos sem fronteiras na Grécia, Hilde Vochten, disse: “Em algumas partes do campo de Moria, há apenas um ponto de água para 1300 pessoas e não há sabão. Famílias de cinco ou seis pessoas têm que dormir em espaços de no máximo 3 metros quadrados. As medidas recomendadas, como lavagem frequente das mãos e distância social para prevenir a propagação do vírus são simplesmente impossíveis.”

Ignorando os múltiplos apelos, tanto na Grécia como em nível internacional, para evacuar imediatamente os campos de refugiados, o governo da Nova Democracia, ao invés de hospedá-los em alojamentos decentes, dignos e saudáveis, para protegê-los da epidemia, anunciou em 17 de março, que eles estavam proibidos de sair dos campos de concentração nas ilhas e nas fronteiras, bloqueando-os com armadilhas mortais.

Os campos (e outros acampamentos “selvagens”) foram fechados. Segundo um artigo do Jornal dos Editores, de 27 de março, o governo se limita a instalar caixas eletrônicos e pontos de distribuição de alimentos nos campos.