Petroleiros não se intimidam e preparam greve

Os petroleiros deram uma grande demonstração de que não estão dispostos a ceder às chantagens da Petrobras para retirar seus direitos conquistados a duras penas.

A empresa ameaçou não renovar o Acordo Coletivo de Trabalho se os petroleiros não aceitassem sua contraproposta que corta direitos, reduz o valor de horas-extra e dá um reajuste abaixo da inflação. Em resposta a essa verdadeira provocação, que mal encobre a vontade do governo Bolsonaro de privatizar a Petrobras, a Federação Única dos Petroleiros (FUP filiada à CUT) e também a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) indicaram para as assembleias realizadas pelos seus sindicatos locais a rejeição dessa contraproposta e a preparação da greve nacional da categoria.

Com as assembleias convocadas, a direção da Petrobrás orientou gerentes e supervisores a participarem das mesmas para defender e votar a favor de sua proposta. Mas, o tiro saiu pela culatra.

As assembleias lotaram e derrotaram essa manobra. Em 26 de agosto, diante da sede da Petrobras em Salvador, foi aberta a palavra para quem quisesse defender a posição da empresa, mas ninguém se inscreveu para fazê-lo. Já em Macaé (RJ), em 28 de agosto, a assembleia realizou-se num ginásio de esportes e mais de 2 mil petroleiros rejeitaram a proposta da empresa.

O coordenador do Sindipetro-BA , Jairo Batista, explica que “o que está em jogo é a pavimentação para o processo de desmonte e privatização da Petrobras, não se trata apenas do ACT da categoria, de seus direitos e empregos, e, felizmente, os petroleiros já estão reagindo”.(site da FUP)

Em reunião de mediação, no dia 29 de agosto, realizada no Tribunal Superior do Trabalho (TST) e solicitada pela Petrobras, a empresa não aceitou a proposta das duas federações de prorrogação do Acordo Coletivo de Trabalho e manutenção da mesa de negociações entre as partes. Ao mesmo tempo que prepara a greve nacional petroleira, a FUP também participa do lançamento da Frente Parlamentar e Popular em Defesa da Soberania Nacional, que está sendo lançada nos dias 4 e 5 de setembro em Brasília, que será seguida de uma Plenária sindical nacional da CUT contra as privatizações.

João B. Gomes