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Rio: PM promove genocídio de jovens negros

25 de agosto de 2017

Dados sobre assassinatos no Rio de Janeiro são alarmantes

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Em pouco mais de um ano (janeiro/2016 e março/2017) pelo menos 1.227 pessoas foram assassinadas pela Polícia Militar no Rio de Janeiro. Os dados mostram o aumento do verdadeiro genocídio da juventude negra.

Em cada 10 mortos, nove são negros ou pardos. Do número total, apenas 141 são brancos. Segundo do Instituto de Segurança Pública (ISP) com base nos Boletins de Ocorrência da polícia civil, o principal alvo da PM-RJ continua sendo o jovem negro em situação social de vulnerabilidade, que representa mais da metade dos casos.

Os locais escolhidos pela PM para suas ações se concentram nos “morros e favelas”. Na Zona Sul foram registrados apenas 1% (14 mortes), enquanto nas comunidades mais carentes os números são bem mais elevados. O ex-comandante da PM, o coronel da reserva Ibis Pereira da Silva, afirma que “esses espaços acabam sendo a periferia, os espaços de pobreza. Ela não vai fazer isso na zona sul onde você pede droga pelo telefone, que você tem que ter um inquérito.”

O Rio não é uma exceção
Os noticiários nacionais destacam rotineiramente a crise política e financeira que vive o estado do Rio de Janeiro e uma das consequências dessa crise é essa política que continua matando a juventude negra. Ao ser questionada, a Secretaria de Segurança Pública do estado se calou quanto ao perfil (sua maioria negros), mas assumiu que os números são “sim, muito altos” e justificou que estão “mês a mês perdendo recursos humanos e materiais” e está com a mobilidade e o serviço preventivo comprometidos, tendo como consequência um “maior enfrentamento”.

Em outras palavras,a precarização dos serviços públicos no Rio de Janeiro tem como uma das consequências a morte de diversos jovens negros.

Ainda que esses dados sejam um recorte da realidade do Rio de Janeiro, eles seguem o perfil de assassinatos em todo o país. Segundo o Atlas da Violência 2017, para cada cem pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras.

Enquanto para os negros houve um aumento da taxa de 18,2% (entre 2005 e 2015) para os não negros teve uma diminuição de 12,2% nos assassinatos.

Como afirma o próprio relatório do Atlas da Violência 2017, os “negros continuam sendo assassinados todos os anos como se vivessem em situação de guerra”. Segundo a diretora da Anistia Internacional no Brasil, Jurema Werneck, a violência não atinge de forma igual toda a sociedade no país: “Racismo, pobreza e a região onde os homicídios ocorrem são componentes importantes que nos ajudam a entender o perfil das vítimas da polícia”.

Além do genocídio, os jovens negros sofrem as consequências de uma justiça seletiva, como é o caso de Rafael Braga, preso desde janeiro deste ano.

Desmilitarização da PM já!
A polícia militarizada foi um dos entulhos da ditadura militar de 1964 que se manteve. Uma polícia que em vez de garantir a segurança da população está pronta para guerra na qual o principal inimigo é a população pobre, em sua maioria negra e jovem.
A desmilitarização da PM hoje é o fim de uma corporação que sobe os morros em ação de guerra, pronta para matar e não para proteger.
Para isso temos que passar o país a limpo, varrer os entulhos que a ditadura nos deixou. Uma Assembleia Constituinte é que pode nos abrir uma via.

A PEC 51 do Senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que propõe a desmilitarização da PM se encontra travada desde 2013 no Senado Federal. Nenhum projeto que possa beneficiar o povo trabalhador e a juventude brasileira sairá desse Congresso apodrecido, que serve como balcão de negócios do governo golpista.

Joelson Souza



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