Começou a circular uma Declaração à Militância do PT, encabeçada por personalidades e dirigentes (abaixo). Subscrevem militantes independentes, do DAP e de agrupamentos como o Quilombo Socialista, Luta Pelo Socialismo e o Chão. A Declaração está aberta à adesões.
“Companheiras e companheiros,
O PT realizou seu 8° Congresso numa situação mundial caótica. Queremos ser claros e diretos sem palavrório cansativo.
Os povos do mundo já sofrem as consequências da escalada de guerras dos EUA e de Israel, agora contra o Irã e o Líbano, além da guerra na Ucrânia e no Sudão. O fardo, seja em termos de alta de preços, seja de milhões deslocados, feridos e mortos, é lançado nas costas dos trabalhadores, enquanto um punhado de bilionários acumula fortunas, inclusive no Brasil. É preciso dizê-lo sem meios termos.
Trump quer mostrar que pode tudo. Mas é o imperialismo em crise que tenta manter militarmente sua hegemonia. Internamente Trump está confrontado. Milhões saem às ruas no “No Kings”, contra a guerra, contra os cortes, e protestam contra a caçada desumana de imigrantes.
O Brasil não está à parte do tumulto, não é viável um “equilíbrio”. Trump quer acabar com a soberania nacional no continente, por isso sequestrou o presidente Maduro, bloqueia Cuba, e pressiona o Brasil, o México e a Colômbia, a se alinharem à sua pauta, de entrega de riquezas naturais e de competição com a China.
O governo Trump exortou os generais do continente a não dar bola aos advogados (as leis) para combater a migração em massa e o narcoterrorismo.
É preciso encarar as ameaças defendendo a soberania nacional com uma pauta popular mobilizadora, sem temer as oligarquias. Apoio do povo não faltará.
Pelo mundo, Trump respalda a extrema-direita. Mas ela não é imbatível, a começar nos próprios Estados Unidos. O PT tem lado, é o da solidariedade internacional com os trabalhadores e os povos, que é de onde pode emergir a força capaz de resistir e reverter a marcha à barbárie que este sistema arrasta a humanidade. Não há outro caminho.
Companheiras e companheiros,
Esse cenário é desafiador para a reeleição de Lula.
Trump chantageou o país com alucinadas tarifas de importação, e agora ameaça enquadrar o PCC e CV como narcoterroristas para uma eventual intervenção, pregada pelos bolsonaristas.
A extrema-direita pretende atrair os votos explorando a frustração que existe em setores populares.
Os governos do PT, sem dúvida, foram os melhores. Mas a desigualdade social segue abissal: o 1% mais rico tem 37% da renda nacional; os 10% mais ricos têm 59% da renda; e os 50% mais pobres só tem 9%!!!
Isso porque não foi cortado o nó górdio do sistema que se assenta no agronegócio, na mineração e no capital financeiro da Faria Lima. São eles que comandam o show no Congresso Nacional, amparados nos privilégios do judiciário, sob a sombra da tutela militar (Art.142).
Nos últimos anos, foram retomados os programas sociais mutilados e criaram-se novos (Pé-de-meia). A elevação do piso do Imposto de Renda foi positiva, mas tímida – por que não retomar taxação de 40% sobre os mais ricos, extinta pela Ditadura Militar?
Houve crescimento econômico e queda do desemprego, mas grande parcela da população não sente melhora substancial. O salário não alcança os preços nos supermercados e nos alugueis, vitais para as camadas populares. Os jovens só conseguem empregos com baixos salários e desregulamentados. Daí o seu movimento pelo Fim da Escala 6×1, com redução de jornada e sem redução de salário.
Lula é que deve ser o candidato antissistema. O PT veio à luz socialista. Mas não pode ser socialista em dias de festa, e celebrar as PPPs e OSs no resto do ano.
Estamos preocupados. O PT que nasceu contra esse sistema e não pode ir “para a vala comum da política deste país”, como disse o presidente Lula no aniversário do PT.
O sistema está podre, as instituições estão em crise. O Congresso bloqueia as pautas populares. O Orçamento foi sequestrado pelas emendas parlamentares, no seu conjunto, não só as “impositivas”.
Essas emendas absurdas de R$ 50 bilhões, com o enorme Fundo Eleitoral de R$ 5 bilhões, são expedientes antidemocráticos que oligarquizam os partidos, inclusive o nosso.
O PT deve, sem hesitar, abraçar a plataforma antissistema e, nesse caminho, desobstruir seus canais. O PT deve apresentar uma alternativa à bagunça dos conflitos permanentes de poderes institucionais, e não ser parte dela.
O PT deve apresentar a pauta popular para constituir alianças em defesa da Soberania Nacional, ela inclui a reversão de privatizações da Eletrobrás e do sistema Petrobrás, as reformas no judiciário, no exército, a revogação das contrarreformas trabalhista e previdenciária; inclui libertar a economia do arcabouço fiscal derrubando os juros que comem R$ 1 trilhão por ano; o imposto sobre grandes fortunas (patrimônio e renda), e o aumento do salário mínimo ao nível do Dieese em quatro anos.
Nós vamos fazer a maior campanha eleitoral para Lula e os candidatos do PT. Mas com essas regras eleitorais é muito difícil mudar a relação de forças no Congresso. E não vai ser colando figurinhas do Centrão, que fecharemos o álbum do bloco das mudanças.
O Brasil precisa de uma reforma radical nas instituições que deve ser um tema eleitoral. É como o PT pode se qualificar como o genuíno partido antissistema, propondo a luta por uma Reforma Política que institua, pelo menos, o financiamento público exclusivo de campanha, o voto em lista partidária pré-ordenada e a representação proporcional (uma pessoa = um voto). Essa plataforma será desenvolvida com os aliados que encontraremos nos movimentos populares, em associações, outras forças políticas, sociais e na opinião pública.
Sim, é uma ruptura pela via democrática. Queremos contribuir para um movimento por uma Constituinte Soberana, que faça as transformações sociais e econômicas profundas que o Brasil precisa. Não se trata de repetir o Congresso Constituinte de 88.
Desde já, lançamos a ideia deste movimento em reuniões e intercâmbios, em vista de um grande debate nacional pela Assembleia Constituinte Soberana no mês de agosto.
É hora de reunir as forças para a dura batalha pela frente.
Nessa batalha nos encontraremos com toda a militância do PT.
São Paulo, 24 de abril de 2026
Primeiros signatários
José Genoíno, ex-presidente do PT; Rui Falcão, ex-presidente e deputado federal do PT; Luiz Eduardo Greenhalgh, fundador do PT; Markus Sokol, fundador do PT; Misa Boito, fundadora do PT; Betão, deputado estadual PT MG; Lino Peres, Setorial de Combate ao Racismo PT-SC; Bruno Zillioto, vereador do PT em Florianópolis-SC; Marcos Antônio Pereira -Steve Biko, DM-PT Conde-PB; Sumara Ribeiro, Executiva estadual PT MG; Claudinho Silva, ex-Ouvidor da Polícia do Estado de SP; Priscilla Chandretti, membro do DN-PT; Milton Alves, PT PR; Paulo Riela, PT BA; José Américo Dias, ex-deputado estadual PT SP; Júlio Turra, Setorial Sindical nacional PT; Leda Gonçalves, PT DF; Marcelo Carlini, PT RS; Rosane Cordeiro, Sindados MG; Robson Gomes Silva, Presidente do Sintect MG; Pedro Paulo Pinheiro, PT MG; Hélio Barreto, PT-DF; Adelino Oliveira, PT Piracicaba SP; Auxiliadora Souza, PT Salvador BA; Dagna Costa, PT Juiz de Fora-MG; Luís Eduardo, PT Porto Alegre-RS; José Luis Sobrinho, Presidente do PT Ipojuca-PE; Ancelmo Rodrigues, Presidente do PT Conde-PB.

