Solidariedade à greve nos Correios!

Grevistas dos Correios em Belo Horizonte (MG)

A greve nacional dos trabalhadores dos Correios, os ecetistas, “já é a maior dos últimos tempos”, destaca Osvaldo Rodrigues, diretor do Sindicato da categoria da Bahia. Nesta entrevista, feita em 9 de setembro, ele denuncia a tentativa da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), presidida pelo general Floriano, de retirar direitos do Acordo Coletivo e pede a solidariedade dos sindicatos, sobretudo da CUT, para ajudar no desenlace favorável à categoria.

O Trabalho: A greve entra na quarta semana, quais são as reivindicações?

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Osvaldo: Nossa greve continua forte por todo país e já é a maior dos últimos tempos. A grande adesão se dá por conta do brutal ataque às conquistas históricas da nossa categoria, que está tendo 70 das 79 cláusulas do nosso Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) destruídas pela direção da empresa com a nítida intenção de retirar direitos, precarizar os serviços e as condições de trabalho, preparando-a para a privatização, como projeto deste governo entreguista, que desde o início vem vendendo o patrimônio público brasileiro ao capital estrangeiro.

Nossa greve é, portanto, em defesa do nosso Acordo Coletivo, por melhores condições de trabalho, especialmente neste momento de pandemia, em que nós, trabalhadores, estamos expostos ao contágio do vírus por falta de EPIs nas unidades, e também contra a privatização dos Correios.

OT: Ocorrem reuniões do dissídio no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Qual a expectativa?

Osvaldo: O TST agendou para esta sexta-feira (11) uma audiência de conciliação a pedido da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios-CUT) e do Ministério Público do Trabalho, porém não temos muitas expectativas de que a direção dos Correios aceitará alguma proposta de acordo, já que no início da mediação recusou a proposta feita pelo próprio tribunal de manter todas cláusulas sociais do ACT, porém sem reajuste salarial. A empresa não aceitou porque seu objetivo é destruir completamente nosso Acordo Coletivo. Percebemos ainda que a justiça está agindo com morosidade no processo, o que contempla o jogo da empresa de prolongar a greve e assim tentar ganhar os trabalhadores pelo cansaço. Por isto precisamos intensificar a mobilização, ampliar a greve e forçar uma solução rápida e favorável à categoria.

OT: Quais serão os próximos passos da greve da categoria?

Osvaldo: Com o fechamento dos acordos dos bancários e petroleiros, a greve dos trabalhadores dos Correios ficou de certa forma isolada, o que facilita o avanço da empresa contra nossa categoria, por isto a necessária solidariedade dos sindicatos de outras categorias no fortalecimento da luta dos trabalhadores ecetistas, onde entra o papel fundamental da CUT para mobilizar os sindicatos de sua base no intuito de apoiar nossa greve e ajudar na construção do Dia Nacional em Defesa dos Trabalhadores dos Correios, dia 11 de setembro, e nas próximas atividades de piquete e rua. Compreendemos que a nossa greve é a maior em curso no país e seu desfecho terá grande relevância na sequência de outras lutas que travaremos pela frente, a exemplo do combate contra a reforma administrativa, enviada ao congresso pelo governo Bolsonaro, que avança seus ataques contra os servidores e na destruição dos serviços públicos no Brasil. Sendo assim, reafirmamos a necessidade da CUT sair das redes sociais e ajudar na construção e participação dos atos de rua, pois é nas ruas o terreno no qual os trabalhadores fazem sua luta.

Para garantir a vitória, precisamos, portanto, ampliar a mobilização, fortalecer a greve, construir a unidade com outras categorias em defesa da vida, dos direitos, contra as privatizações, e lutar pelo fim deste governo lesa-pátria.

Nota da redação: em 10/09 a CUT nacional soltou uma nota chamando à solidariedade ao dia 11, “Dia Nacional em defesa dos Correios e do apoio à greve”.