Trump visitou Índia em meio a conflitos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, visitou a Índia entre 24 e 26 de fevereiro. Na véspera de sua chegada, declarou: “Eu me entendo muito bem com o primeiro-ministro [Narendra] Modi. É um de meus amigos”. Sempre modesto, acrescentou: “Ouvi dizer que será um grande acontecimento. Alguns dizem o maior acontecimento que jamais viram na Índia”.

Trump previa ser recebido por 10 milhões de indianos. Na verdade, pouco mais de 100 mil pessoas assistiram ao show de Trump-Modi no estado de origem do premiê, Gujarat, e mesmo assim porque foram pagas pelo governo indiano ou dispensadas do trabalho.

Quando administrava esse estado, em 2002, Modi tolerou e em alguns casos encorajou o massacre de milhares de muçulmanos.

O jornal “The Washington Post” afirmou que Trump deveria alertar Modi sobre a necessidade de se garantir a liberdade religiosa, abordando o banimento de cerca de 200 milhões de muçulmanos, decidido pelo governo Modi, quando fez aprovar a Lei de Emenda à Cidadania. Essa legislação permite que pessoas de Bangladesh, Paquistão e Afeganistão que entraram ilegalmente na Índia reivindiquem cidadania indiana – desde que não sejam muçulmanas. Trump não tocou no assunto.

Na primeira noite da visita, membros do BJP, partido de Modi, atacaram bairros muçulmanos da capital, Nova Delhi, matando três pessoas e ferindo gravemente mais de uma dezena. Iniciou-se um confronto, que ofuscou a viagem de Trump. Até o fim de fevereiro, pelo menos 32 pessoas haviam morrido em razão dos conflitos.

Interesse em negócios
Para os capitalistas, o que interessa mesmo são os negócios. A visita de Trump tinha como um dos objetivos conduzir a venda de um lote de helicópteros militares da Lockeed Martin, grande empresa dos EUA, a um custo de US$ 2,6 bilhões, além de outros 24 helicópteros Sikorsky, no valor aproximado de US$ 2,1 bilhões. Os EUA aprovaram também o fornecimento de armas de defesa aérea a um custo de US$ 1,9 bilhão.

No campo da energia nuclear, a empresa estadunidense Westinghouse foi assinar um novo acordo com a NPCI, estatal indiana do setor, para a instalação de seis reatores. Estava previsto ainda o desenvolvimento de uma parceria de US$ 2,5 bilhões entre a India Oil Corporation e as estadunidenses ExxonMobil e Chart Industries para fornecimento de combustível.

Os trabalhadores indianos buscam resistir à onda de desmantelamento nacional e de apropriação de riquezas do país. No próprio dia da chegada de Trump, os sindicatos dos empregados da estatal de telecomunicações Bharat Sanchar Nigam Limited iniciaram uma greve em toda a Índia contra o regime de aposentadorias voluntárias, que procura liquidar mais de 80 mil postos de trabalho, e contra o não pagamento, há mais de dez meses, de trabalhadores substitutos.

Correspondente