40° Congresso do ANDES

Depois de dois anos de pandemia, com atividade apenas de “lives” e reuniões online, o ANDES-SN realizou seu congresso, em Porto Alegre.

As universidades suspenderam suas atividades presenciais e docentes foram empurrados ao teletrabalho. Ataques aos direitos dos servidores, e aos professores em particular, foram desfechados por Bolsonaro e governos estaduais e municipais. O salário foi congelado, houve reforma da previdência e intervenção em reitorias.

O centro do Congresso deveria ser a luta pelos 19,9% nas instituições federais e a organização da luta nas estaduais, tendo como eixo salário e carreira. O esperado era que o congresso do sindicato se dedicasse a reunir as condições para uma mobilização até para uma eventual greve.

Não foi o que se viu. O congresso não colocou no centro o combate pelos 19,99%, nem a luta para enterrar de vez a PEC 32. A discussão sobre as estaduais foi varrida da plenária por uma manobra regimental. De novo, o ANDES-SN se dedicou a uma interminável discussão sobre todos os assuntos, sem priorizar sua função que é a luta por salário e carreira.

Neste contexto difícil, é preciso valorizar o crescimento da oposição sindical. O Fórum Renova ANDES chegou ao Congresso com 100 delegados e 15 observadores, realizou uma grande plenária e deu os primeiros passos para a disputa eleitoral que ficou marcada para maio de 2023. Nos próximos meses, o Renova se dedicará à continuidade da luta pelo salário e contra a PEC 32, intervindo nas seções sindicais com esta orientação.

Durante o Congresso, docentes do Diálogo e Ação Petista reuniram 40 delegados para discutir a intervenção na campanha de Lula, para que ela acolha a luta pela revogação das contrarreformas.

Impulsionados pelo DAP, delegados distribuíram uma moção, recusada por alegações “regimentais”, que defendia “Não à guerra, pelo direito à autodeterminação e a fraternidade entre os povos”, exigindo a retirada das tropas russas, o fim das sanções contra a Rússia e o fim da OTAN.

Eudes Baima

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