8 mil trabalhadores dos correios em Minas não tem proteção contra coronavírus

Sem luvas, máscaras ou qualquer outro tipo de equipamento de proteção, cerca de 8 mil trabalhadores dos Correios seguem sua rotina normal mesmo em tempos de pandemia do Covid-19. Na Zona da Mata, esse número pode chegar à 800. É o que revela o funcionário dos Correios de Juiz de Fora, representante do Sindicato dos Correios na cidade e presidente da Central Única dos Trabalhadores da Zona da Mata, Reginaldo Souza.

Ele conta que além de todas as agências estarem abertas, os funcionários estão trabalhando com apenas uma orientação “não pegar as assinaturas dos usuários, o que é arriscado porque eles podem alegar que não receberam as correspondências. Além disso, a distribuição de álcool em gel foi abaixo do que os trabalhadores precisam”, conta informando que até o momento nada foi dito sobre máscaras e luvas.

Em toda Minas Gerais a situação não é diferente. Cerca de 8 mil trabalhadores estão sob o risco de contaminação e de acordo com Robson Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Correios em Minas Gerais (SinTec-MG), “o serviço de Correios deve parar imediatamente, mantendo somente o serviço de distribuição de remédios,  vacinas, materiais hospitalares e demais atividades que ajudem no combate ao coronavírus”.

Robson afirma que neste momento o contato direto dos funcionários da empresa com outras pessoas pode ser um agravante para a proliferação da doença.

“Os trabalhadores estão nas ruas,  no atendimento nas agências ao público sem a devida proteção,  pois até o momento a direção da ECT não forneceu estes equipamentos. Os trabalhadores podem estar sendo contaminados e levando o vírus às casas das pessoas. A negligência da Empresa vai  custar vidas humanas”, explicou afirmando já haver suspeitas de contaminação de alguns funcionários.

Denúncias serão levadas à Direção Nacional dos Correios
Por meio de um requerimento enviado à presidência dos Correios Nacional, o deputado estadual Betão (PT-MG) cobrou providências quanto à segurança dos trabalhadores que hoje se expõem ao risco de contaminação.

“A empresa não pode simplesmente alegar que não tem como fornecer as máscaras. O que os trabalhadores me informaram é que, em alguns casos, os Equipamentos de Proteção Individual foram fornecidos mas os trabalhadores que estão nas ruas estão totalmente desprotegidos. Isso não pode continuar e a segurança deve ser para todos, afinal eles prestam um serviço à população”, reforçou.

“A quantidade disponibilizada de álcool em gel foi muito pequena. Alguns trabalhadores com mais de 60 anos estão em casa, mas a estimativa do sindicato é que cerca de 800 trabalhadores da Zona da Mata estejam nas ruas sob o risco de contaminação”, reforçou Reginaldo, que desligou o telefone e seguiu para trabalhar em uma das agências de Juiz de Fora.

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