A luta da “Ocupação Vitória” na cidade histórica de Diamantina

Reunião dos moradores da ocupação

A cidade de Diamantina, localizada no Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais, conhecida por sua arquitetura histórica que atrai turistas do país e do mundo é palco hoje da luta pelo direito a moradia, protagonizada pelas cerca de 130 famílias da Ocupação Vitória.

Essas famílias ocupam um terreno que pertence ao governo do Estado, e que, cedido para o município, ficou anos parado, sem nenhum uso social.

Marcia Melo, coordenadora da ocupação, e da direção do MTST, explica que o movimento teve inicio de forma espontânea, com a ação de uma família: “o morador mais velho, Silvio, em meados de 2014, com a esposa e 5 filhos, todos crianças, construíram um barraco de lona e moraram durante 1 anos e 4 meses. Quando a população ao redor percebeu, se juntaram e ajudaram a construir uma casa pequena de alvenaria. Com isso, outros moradores vieram.”

Os moradores da ocupação resistem e enfrentam condições difíceis. “são cerca de 130 famílias, mas muitas vezes, uma casa tem vários núcleos familiares. As condições são diversas: barracos de alvenaria 4×4 sem banheiro; barracos de lona sem banheiro; casas com 2 quartos, uns com e outros sem banheiro; barracos de madeirite; sem água encanada, sem esgoto e sem luz. Usamos banheiro e cozinha comunitários, que também não tem estruturas de água, luz e esgoto.” revela Marcia.

Em outubro passado a resistência ganhou contornos dramáticos. Em plena pandemia, a guarda municipal iniciou um processo de despejo ilegal, sem qualquer ordem judicial. Várias casas foram demolidas, mas a disposição de luta da população e as denúncias feitas pelo deputado Estadual Betão (PT-MG), ajudaram a suspender o processo ilegal.

Betão levou a questão à comissão de direitos humanos da Assembleia Legislativa e acionou a “mesa de diálogo” do governo estadual, para solução de conflitos.

Desde então a mobilização e as negociações estabelecidas com o Estado e a prefeitura da cidade, permitiram dar às famílias alguma esperança de vitória.

Elas conquistaram o cadastramento pela prefeitura das famílias e a promessa de regularização fundiária, inclusive com a perspectiva de assentar o dobro de famílias que hoje ocupa o terreno e de urbanização do local.

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Apesar dos avanços, seguem alertas e procuram também avançar seu processo de auto-organização. Recentemente criaram uma cozinha comunitária que procura garantir pelo menos duas refeições diárias a todos os moradores.

Marcia Melo acredita que essa experiência é muito importante. “Sem essa cozinha como as pessoas fariam? Em barracos de plástico, como cozinhariam? Uns sem nem ter o que cozinhar em casa.” reflete a coordenadora do movimento.

Para Márcia falta sensibilidade e compromisso das instituições com o povo, “eles (os poderes) tinham que ter um olhar mais sensível a essas famílias que necessitam de morar em ocupações, pois ninguém mora em um lugar, em condições precárias porque quer.”

Diamantina, cidade histórica de Minas Gerais

Diamantina, cidade histórica de Minas Gerais

 

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