Argélia: o confinamento, sob pretexto sanitário, tem outros objetivos

Artigo publicado no jornal argelino Liberté de 20 de janeiro (extratos)

O confinamento, sob o pretexto de uma decisão sanitária, tem outros objetivos

Luisa Hanune, secretária geral do Partido dos Trabalhadores, acredita que apesar do levante de fevereiro de 2019, “as coisas não mudaram”. Ela considera que o movimento revolucionário, nascido em fevereiro de 2019, “não diz respeito apenas ao aspecto político”, mas “também visa a mudança econômica e social”.

“O poder atual, por meio de seu governo, mostrou que ainda segue as mesmas práticas”, disse ela. “Esse poder está fazendo o haraquiri”, afirma, avaliando que as diretrizes socioeconômicas do governo “são antissociais e rejeitadas”. “Estas políticas destroem o tecido económico e as bases da economia nacional”, acusa Luisa Hanune, acrescentando que este governo “continua a sua política de terra arrasada e desertificação da economia”.

“A mesma política de predação continua (…). As leis financeiras confirmam a manutenção da política predatória”. Para a secretária geral do PT, a segurança nacional não se reduz apenas às armas do exército ou aos serviços de segurança. “Fazem parte a economia, as liberdades, os direitos sociais e a cultura, aglutinadores da unidade nacional”, observa.

A constatação esmagadora de Luisa Hanune sobre a situação do país baseia-se principalmente nas consequências da decisão das autoridades de impor o confinamento. Para ela, esse confinamento, sob o pretexto de uma decisão sanitária, “tem outros objetivos” que “a preservação da saúde pública”. “Mais de seis milhões de empregos foram afetados”, observa ela, denunciando “a pauperização das camadas médias”.

“O confinamento é um fardo pesado que pôs de joelhos setores inteiros da sociedade”, sublinha, não sem acusar o governo “de querer usar a crise sanitária” para “controlar a sociedade, as liberdades e destruir a economia”.

“Cabe aos Estados assumir sua responsabilidade, conforme defendido por especialistas e cientistas”, disse Hanune sobre a não confiabilidade da contenção. Ela qualifica de “rolo compressor” as decisões das autoridades de renovar o confinamento que congelou todas as atividades, inclusive culturais e esportivas.

Abordando o que ela considera ser uma contrarrevolução, Luísa Hanune atacou “aqueles que colocam ganhos políticos antes das questões sociais”. “É uma contrarrevolução”, disse, acrescentando que o movimento popular “exigiu a saída do sistema”, porque “é este mesmo sistema que empobrece e arruína o país”.

“O processo socioeconômico é prioritário. As conquistas são da revolução. O pouco que tínhamos está ameaçado. As camadas médias desapareceram, empobreceram”, adverte a secretária geral do PT, lembrando que essas práticas “são aquelas da oligarquia predatória” que pôs “o país de joelhos”.

Outro assunto abordado foi a situação das empresas públicas que ela considera vítimas do sistema. “Atualmente, querem uma recapitalização das empresas para colocá-las na Bolsa, de forma a garantir o seu desmantelamento”, acusa, afirmando que o movimento revolucionário de 22 de fevereiro de 2019 “também impõe soluções económicas e sociais” que todos devemos defender”.

Tradução Adaias Muniz

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