Aumenta a evasão escolar na pandemia

Foto: Alair Ribeiro/MidiaNews

Um estudo feito pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS), a partir da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios) mostrou enormes disparidades entre o número de aulas presenciais recebidas por alunos de escolas públicas e privadas. Segundo o estudo, alunos com pais ricos e com o ensino superior completo tiveram mais que o dobro de oportunidades de ter aulas presenciais durante a pandemia. Uma recente pesquisa divulgada pelo Datafolha mostrou que quatro a cada dez alunos da educação básica na rede pública de ensino correm o risco de abandonar a escola por conta da pandemia. Com as escolas fechadas, o número de estudantes que não estão motivados e pensam em abandonar os estudos aumentou, passando de 26% para 40% desde o ano passado. O número é ainda maior entre estudantes negros: 43% contra 35% entre brancos. Na região sul do país, 31% dos estudantes pensam em abandonar a escola, enquanto que na região nordeste esse número chega a 50%.

Rodrigo Teles, militante da Juventude Revolução do PT e estudante de uma escola estadual em São Leopoldo (RS), relatou que muitos estudantes têm deixado de frequentar as aulas. “Estamos em ensino híbrido e, hoje mesmo, tinham sete pessoas na aula, somando online e presencial. São 28 estudantes na turma. Na aula online, vários alunos têm dificuldade com a conexão de internet e muitos estão tendo que escolher entre estudar e trabalhar. Eu mesmo, no início da pandemia, não tinha tempo para estudar. A renda da minha família foi afetada e meu salário estava complementando.”

Situação gera problemas psicológicos
Outra militante da JR, Naomi Silvano, também relatou: “Muitos dos meus colegas falam que desenvolveram problemas psicológicos por conta do EaD e pensam em desistir. Sem perspectiva de retorno às aulas com segurança, fica difícil manter o ânimo. Dos 40 que entraram comigo, sobraram 23 alunos. Muitos também tiveram que trabalhar durante a pandemia.”

Bolsonaro e os governos estaduais e municipais não tomaram nenhuma medida desde o início da pandemia para garantir o retorno ao ensino presencial com segurança. Uma recente pesquisa divulgada pelo FMI demonstra que a chamada “geração catástrofe” terá uma diminuição em sua renda futura, consequência da crescente evasão escolar. Não é por acaso que a presença da juventude tem sido expressiva nos últimos atos contra Bolsonaro e seu governo. Com esse cenário, o Brasil também enfrenta um aumento na “evasão de cérebros”. Cresceu o número de jovens profissionais que saíram do país em busca de trabalho no exterior. Sem perspectivas e com dificuldades de encontrar emprego, pesquisas recentes também mostraram que quase metade dos jovens brasileiros deixariam o país, se pudessem.

Kris

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