Caindo no conto do invasor

A eclosão da guerra abriu um baú na esquerda de onde saíram saudosistas do período da “guerra fria”. Principalmente nas redes sociais, mas não só, abundam textos e postagens que, ao fim e ao cabo, justificam a invasão da Ucrânia, como uma ação do governo russo contra o imperialismo estadunidense e que deve ser apoiada. Contra Biden, vão de Putin. A grande mídia se alinha com a política da Otan, Biden e União Europeia e setores da esquerda e da mídia alternativa, com o governo invasor de Putin.

Divulgado, pelo MST, sem nenhuma apreciação, a não ser a recomendação “importante leitura, o que dizem os russos” um texto de Vyacheslav Tetekindo do Partido Comunista da Federação Russa (KPRF), em 14/03, 19 dias depois do início da guerra afirma: “A Rússia não vai ocupar a Ucrânia. O objetivo da operação é a libertação da Ucrânia dos nazistas e sua neutralidade (recusa à adesão à Otan). A tática das tropas russas é, enquanto atacam instalações militares, minimizar as perdas da população civil e do exército ucraniano, a fim de evitar a destruição da infraestrutura civil (!!?)” (texto publicado no site Rondó da Liberdade). É o que se vê?

O Tutaméia divulgou entrevista do deputado Dmitry Novikov (KPRF). Assim como Putin, que proibiu, chamar a guerra de guerra, o deputado diz que a “operação militar especial” tem “dois principais objetivos: são a desmilitarização e a desnazificaçao da Ucrânia. A ideologia nazista no território da Ucrânia hoje é a ideologia reinante”. Pronto está justificada a invasão e guerra! (sobre isso ver “Verdades e mentiras sobre o fascismo na Ucrânia”)

O alinhamento do KPRF com Putin, divulgado aqui por órgãos da esquerda, não corresponde ao que pensam os que na Rússia, apesar da repressão, estão chamando a guerra de guerra e protestando contra ela.

Nem Biden e Otan, nem Putin
Uma posição independente no interior do movimento operário é fundamental para lutar contra esta guerra onde “não se sabe quantos milhares estão mortos e feridos, mas há mais de 3 milhões de fugitivos da Ucrânia em três semanas de invasão unilateral, ordenada por Vladimir Putin”. “Nenhuma geopolítica, nem a de Putin nem a de Joe Biden, nenhum neonazismo ucraniano — ou o neoczarismo russo; ou ainda o golpismo orquestrado por Donald Trump no assalto ao Capitólio — pode justificar essa guerra por mercados e lucros. Não há lado bom nessa disputa intercapitalista. Não há um ‘campo progressista’. Há uma nação refém da disputa, a Ucrânia […]: cabe aos ucranianos decidirem, democrática e soberanamente, o seu destino. A autodeterminação não é um princípio vago. É um valor que diz respeito a todas as nações. Que Putin retire suas tropas da Ucrânia. Que a voz dos povos que não querem guerras seja ouvida”. (Artigo de Markus Sokol, FSP 20/03)

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