CARTA DA CORRENTE O TRABALHO DO PT • 10 de setembro de 2014

De uma urna a outra, a luta continua!

Dilma assuma a Constituinte! Vote nos candidatos pela Constituinte!

PLEBISCITO POPULAR CONSTITUINTE: RESULTADO HISTÓRICO!

Os milhões de votos depositados nas urnas (*) pelo “Sim” à Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político coletados por milhares de militantes voluntários baseados em centenas de comitês apoiados nas principais organizações de trabalhadores (CUT, MST, PT etc.) arrastando inúmeras entidades populares e democráticas em todo o país contra o boicote da reação da mídia e do esquerdismo estúpido constituem, sem dúvida, um fato de dimensão histórica!

Na difícil situação mundial de ofensiva do sistema imperialista em crise – onde a resistência revolucionária na Palestina é o marco central – aqui também, nas condições da luta de classes do Brasil expressou o incansável combate pela soberania nacional e popular.

Em meio às eleições de 2014, os milhões do Plebiscito reatam com as manifestações de rua de junho de 2013, inclusive com a participação de jovens, expressam um passo amadurecido na busca revolucionária de uma saída para as massas populares, através do estabelecimento da soberania popular sobre as apodrecidas instituições do Estado brasileiro.

OS MILHÕES DE VOTOS NO PLEBISCITO de jovens e trabalhadores – do campo e da cidade, vizinhos e donas-de-casa, artistas e intelectuais – pavimentam o caminho para que, afinal, se façam as reformas de fundo travadas no Congresso Nacional há mais de 12 anos: a reforma agrária, a reestatização do que foi privatizado, a desmilitarização das polícias, o fim da ditadura da dívida para destinar as verbas aos serviços públicos e assim por diante.

Os milhões esperam, agora, sobretudo de Dilma – que disse “não se pronunciar como Presidente, mas como cidadã apoia o Plebiscito Popular” – que assuma plenamente sua responsabilidade como candidata do PT:

  • Dilma, não hesite, assuma o resultado do Plebiscito Popular, encabece a luta pela Constituinte!

Para tanto, uma audiência foi pedida à Presidente junto à entrega do Plebiscito aos três poderes da República. Não frustraremos a vontade de milhões nem tampouco permitiremos que seja confiscada por oportunistas.

HÁ MUITA COISA EM JOGO nesta eleição. Entramos num bimestre de intenso debate político. Todos estão convocados, afinal, é o futuro que se disputa!

A crise de regime aberta também traz perigos.

O engodo da candidata Marina juntando do Clube Militar ao Greenpeace, passando pelo Banco Itaú, o PPL (ex-MR8) e boa parte da mídia é uma ameaça real de terceirização geral do trabalho e revogação da lei de aumento anual real do salário mínimo.

Acerta Lula e a direção do PT ao convocar nas instancias do PT, nos comícios e na TV, a desmascarar as propostas de Marina de Banco Central independente, do abandono do Pré-sal e da retração dos bancos públicos. São exigências do capital internacional que é preciso combater: pela derrubada dos juros, o controle do cambio e pelo fim do superávit fiscal; para defender a produção nacional e reindustrializar o país, libertá-lo da especulação financeira e da pilhagem das multinacionais.

Nós, da Corrente O Trabalho junto com os candidatos que apoiamos, defendemos ampliar a mobilização nos sindicatos para defender o pré-sal 100% para a Petrobras, as verbas públicas só para educação e saúde públicas, o fim do superávit fiscal primário, a defesa das carreiras dos servidores e cumprimento dos acordos, o fim do fator previdenciário e a implantação da jornada de 40 horas semanais sem redução de salários.

São todas razões para lutar pela Constituinte da reforma política que dê a palavra ao povo. Isso seria de fato uma “Nova política”. Dizemos não à contrarreforma que propõe Marina, limitada ao Congresso com candidatos avulsos contra os partidos, eleições unificadas apenas de 5 em 5 anos e o voto em “distritão” igual ao que propõem PMDB e PSDB.

Estas são questões centrais para desmontar o engodo Marina que pretende falar em nome das ruas!

Em São Paulo, Padilha (PT) disputa com o governador Alckmin do PSDB e Skaf do PMDB e ex-presidente da FIESP. Lula estranha que: “peão vote em patrão. Na minha época era impossível”. Certo, mas não pode dizer que não tem nada a ver com a “aliança nacional” com o PMDB ele que, em Pernambuco, defende a candidatura de Armando Monteiro do PTB e ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria!

A VITÓRIA É POSSÍVEL mais do que nunca. Não será fácil, mas o combate está a nossa frente!

Engajados na luta pela Constituinte Soberana, desde antes na propaganda até agora na agitação eleitoral, junto com os companheiros do Diálogo e Ação Petista (DAP) que terá seu Encontro Nacional em 29-30 de novembro, neste momento, nos congratulamos com os milhares de jovens e trabalhadores que fizeram o Plebiscito e assim ajudaram a dar a palavra a milhões.

Dirigi-mo-nos a vocês para dizer:

  • Vocês tem em quem votar em 5 de outubro! A luta continua!
  • Junte-se a nós na batalha das próximas semanas: nenhuma energia será desperdiçada!
  • Pela Constituinte: Vote Dilma e nos candidatos majoritários do PT no 1º e no 2º turno!
  • Vote nos candidatos a deputado do PT engajados no Plebiscito Popular da Constituinte!

(*) A primeira totalização parcial apenas dos votos pela internet registra 1.744.872 votos com 96, 9% deles pelo “sim”.


Vários candidatos do PT, desde o início, colocaram suas campanhas a serviço do Plebiscito Popular, dentre eles:

ALAGOAS: JADSON 13.632 Deputado Estadual

BAHIA: EDENICE 13.513 Deputada Estadual

CEARÁ: ANA MARIA 13.444 Deputado Estadual

DISTRITO FEDERAL: MARCIUS 13.130 Deputado Distrital

GOIÁS: HUMBERTO CLÍMACO 13.313 Deputado Estadual

MINAS GERAIS: BETÃO 13.613 Deputado Estadual

MATO GROSSO: ROBINSON CIREIA 1310 Deputado Federal

PARAIBA: MARIAH MARQUES 13.013 Deputado Estadual

SÃO PAULO: MISA BOITO 13.031 Deputada Estadual

SANTA CATARINA: MARIO 13.013 Deputado Estadual

RIO GRANDE DO SUL: JULIO GARCIA 13.323 Deputado Estadual

PARANÁ: ANDRÉ VIEIRA 1303 – Deputado Federal

PERNAMBUCO: ALEX VALENÇA 13.333 Deputado Estadual

RIO DE JANEIRO: CESÁRIO 1.320 Deputado Federal


Sobre a reunião extraordinária do Diretório Nacional do PT de 5 de setembro

A reunião do Diretório Nacional (DN) do PT junto com a plenária de petistas em São Paulo com Lula e o programa nacional de TV do mesmo dia trouxeram uma reorientação da cúpula do PT.

No Diretório Nacional, entre entusiasmo e dúvidas, havia quem dissesse que “colhemos o que plantamos, abandonamos o movimento social, candidaturas designadas de cima pra baixo, alianças mal trabalhadas e coordenações impostas”, ou ainda, “é mesmo nós contra eles; Marina é dócil e aceitável pelos americanos, mudou de lado, vamos enfrentá-la”.

A resolução adotada “antecipa o 2o turno” e procura estimular a militância a enfrentar Marina.

Mas repetir a tática dos 2º turno de 2006 e 2010 com denúncias de privatização pode não ser suficiente para a “eleição mais difícil desde 1982”, como disse Lula, pois ela não assimila a nova situação de crise de regime aberta nas ruas em 2013, da qual se alimenta o engodo da “nova política” de Marina.

O PT tem a resposta: a Constituinte Exclusiva e Soberana para a Reforma Política, que está no seu abaixo-assinado e que o levou a apoiar o Plebiscito Popular com vinhetas na TV, além do voto aberto de Lula e governadores.

Mas, Dilma, até aqui ficou no recuo de 2013: fala em “plebiscito da reforma política”, mas não em Constituinte e não votou no plebiscito popular alegando sua condição de presidente. Qualquer um pode concluir que age assim é devido à aliança nacional com PMDB cujo vice, Temer, é contra desde 2013.

Qualquer um pode também concluir que essa é a razão de fundo que levou a mesa do Diretório Nacional do PT a retirar a Constituinte da emenda apresentada por Markus Sokol que visava introduzi-la no programa definitivo e levá-la aos comícios e ao debate na TV.

Mas, a vontade das ruas expressa no resultado do Plebiscito Popular repõe a questão da Constituinte!

As denúncias de escândalo na Petrobras, focadas no PMDB, mesmo se visam privatizar a empresa, não deixam de repor a necessidade da reforma política que só a Constituinte pode fazer.

A discussão continua e a luta também!

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