COMO ESTÁ NÃO DÁ PARA FICAR

Os seis primeiros meses de governo Dilma foram marcados por mobilizações de diversas categorias.

O ano começou com as greves de trabalhadores da construção civil em obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento, as usinas de Jirau e Santo Antonio) contra as condições de superexploração.

Em abril os trabalhadores sem-terra realizaram mais uma jornada nacional pela reforma agrária que não saiu do papel.

Abril e maio, os servidores públicos com marchas a Brasília exigem que o governo abra negociação para terem atendidas suas demandas.

Os professores da rede pública, em vários Estados e cidades, realizam greves pela aplicação da Lei do Piso Salarial.

Em junho, em várias assembléias realizadas, os trabalhadores aeroportuários anunciaram disposição de ir à greve contra a privatização dos aeroportos. Os petroleiros também recusam a retomada dos leilões do petróleo. Os trabalhadores dos Correios começam mobilização contra a Medida Provisória de Dilma que consideram uma ameaça de privatização da Empresa de Correios e Telégrafos.

Em 6 de julho a CUT, num dia nacional de luta, levantou sua plataforma, como 40 horas, sem redução de salário e o fim do fator previdenciário.

Nada foi resolvido.

No primeiro semestre, entre crises que levaram à demissão de ministros, o governo de coalizão, com o PT aliado a partidos, como PMDB e PR, que estão aí para preservar os interesses capitalistas e seus próprios bolsos – como mostra o escândalo no Ministério dos Transportes – seguiu uma política contrária a todas reivindicações levantadas na luta de classe.

Como é conversa fiada que o Brasil estaria imune à crise, as medidas do governo – corte orçamentário para pagar juros da dívida, retomada das privatizações, alta de juros etc – correspondem às pressões do G-20 e FMI que, como vemos na Europa, arrastam países ao desastre.

Começa o segundo semestre. Grandes categorias entram em campanha salarial. A patronal eleva o tom, acusando os salários de vilões da inflação. O governo se prepara para aprovar uma Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), com reajuste zero para os servidores. O Banco Central eleva mais uma vez a taxa de juros, o que ajuda a aprofundar a desindustrialização no país.

Os empresários, por seu lado, querem proteger seus lucros. Em nome da “competitividade” e da redução do “custo Brasil”, colocam na pauta do governo a discussão da desoneração da folha de pagamentos, enquanto aumentam a exploração do trabalho.

Mas, como mostrou o primeiro semestre, e o segundo pode escancarar, os trabalhadores exigem medidas que protejam seus empregos, salários e a própria nação, da crise capitalista.

Medidas que, ao contrário de entregar ao capital privado, recuperem o controle de nossas riquezas, para destinar os recursos necessários à reforma agrária, a saúde, educação. Medidas que exigem outra política do governo.

Outra política que, para atender os interesses da maioria explorada da nação, deve romper com os “aliados”, agentes diretos do imperialismo, como o PMDB.

“A história do PT e da CUT é para organizar a luta da classe trabalhadora”, disse um companheiro em uma das reuniões do Diálogo Petista que estão sendo organizadas em vários Estados. Reuniões que agrupam petistas de diferentes origens e discutem a situação e iniciativas para ajudar a luta para impor outra política.

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