“A SITUAÇÃO CHEGOU AO LIMITE”

Não, não estamos falando da Grécia.

A frase foi dita por dirigente do MST durante a mobilização que levou cinco mil trabalhadores a ficarem 43 dias acampados em frente ao Incra de Marabá (PA), exigindo medidas a favor da reforma agrária. Ela expressa uma certa impaciência que existe em amplos setores dos trabalhadores.

Não sem motivo. Seis meses de governo Dilma, nenhuma sinalização de atendimento das aspirações sociais e políticas, bem ao contrário, as medidas tomadas e anunciadas estão na contramão dos interesses da maioria que deu, pela terceira vez, a vitória ao PT.

O Brasil não é a Grécia, certo. Mas o pacote de medidas aprovado pelo governo “socialista” grego, a enésima edição, em doses cavalares corresponde às exigências das instituições internacionais, o “remédio” indicado pelos capitalistas para se safarem da crise.

Afinal, a quem serve reduzir gastos e engordar o superávit primário, que nos cinco primeiros meses do ano desviou R$64,82 bilhões para os bancos?

Não serve aos que exigem reforma agrária, pois reduziu ainda mais o orçamento para aquisição de terras para assentamentos de famílias.

Não serve aos servidores federais que enfrentam a embromação do governo que não atende suas demandas e nem mesmo cumpre acordos feitos no governo anterior.

Não serve aos professores das redes municipais e estadual que ouvem de governadores e prefeitos que se negam a cumprir a Lei do Piso, a cantilena da falta de recursos por conta da política de austeridade. O que significa retomar as privatizações, como os leilões do petróleo e a entrega dos principais aeroportos do país?

Os aeroportuários alertam, é um ataque à soberania nacional e às suas condições de trabalho. Em assembléias realizadas pelo sindicato da categoria em vários aeroportos de capitais, os aeroportuários decidiram organizar a greve contra a privatização.

Os servidores federais, que já realizaram três marchas a Brasília em seis meses de governo Dilma, anunciam, se continuar a embromação podem ir à greve.

Há dois meses, em diferentes Estados e cidades, professores em greve exigem a aplicação do Piso.

Os trabalhadores demonstram na ação prática que é preciso outra política A Corrente O Trabalho do PT, realizou nos dias 10 a 12 de junho seu 29º Encontro Nacional.

Numa carta aos trabalhadores e militantes do PT, abre a discussão”: “Não há solução às costas dos trabalhadores e de suas organizações. É hora de dar uma virada. É preciso Outra Política e Outras Instituições! É preciso proteger a nação e o povo trabalhador da crise capitalista mundial. Para isso, é preciso intervir e centralizar o câmbio, rechaçar o capital especulativo e taxar as importações, de modo a defender o parque industrial nacional (…) Para satisfazer as reivindicações populares – como a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e a recuperação dos serviços públicos – é preciso um conjunto de medidas de resistência, que incluem a reestatização das empresas privatizadas e a reforma agrária. Mas para se realizar Outra Política também são necessárias Outras Instituições, compatíveis com essas aspirações populares, como mostrou a votação do Código Florestal na Câmara dos Deputados. (…) Um Governo do PT que atenda as reivindicações mais imediatas, rompa com o imperialismo e seus agentes, como o PMDB, e ouse convocar uma verdadeira Assembléia Constituinte para realizar as aspirações mais profundas de justiça social”.

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