Copa do Mundo: os problemas colocados

Defender diretos contra abusos da FIFA não se confunde com o movimento “não vai ter Copa”

Nas manifestações de junho de 2013, cartazes ganharam as ruas com críticas aos gastos para a realização da Copa, em oposição ao não atendimento de demandas elementares.

Segundo as previsões do Ministério dos Esportes os gastos, que podem ultrapassar os R$ 33 bilhões, incluem o financiamento de estádios privados, Itaquerão (São Paulo), Beira-Rio (Porto Alegre) e Arena da Baixada (Curitiba), aonde o dinheiro público chega a 97% das obras.

Ao mesmo tempo, grande parte da população quer ver a Copa, assistir os jogos e torcer, mas sente-se ultrajada com o preço dos ingressos e com as condições impostas pelo “padrão Fifa”.

Mas, o que está por traz do movimento que tenta organizar-se sob a palavra de ordem “Não vai ter Copa”, e que já realizou pequenas manifestações?

 

Defender os direitos

São justas as mobilizações em defesa de direitos atacados desde a aprovação da Lei Geral da Copa.

Suas imposições, segundo entidades ligadas aos Comitês Populares da Copa, levaram, por exemplo, à remoção de 100 a 150 mil pessoas, do local onde moram. Outros milhares terão seus comércios removidos ou proibidos.

No serviço público os trabalhadores já sentem o impacto da Copa em São Paulo. Norma da prefeitura suspende as férias dos trabalhadores da saúde, no período da Copa, e impõe que só terão afastamento por licença-médica os funcionários que passarem por dois médicos.

Na primeira versão do Manual de Garantia de Lei e Ordem do Ministério da Defesa, os movimentos sociais eram denominados de “forças sociais oponentes”, e se autorizava as forças armadas de intervirem até em greves.  Diante da reação, foram obrigados a modificar alguns pontos.

O Projeto de Lei que tramita no Senado (PL 728/2011) prevê limitações ao direito de greve, e considera manifestações, em determinadas circunstâncias, terrorismo. O projeto tipifica penas de 2 a 30 anos de prisão para manifestantes que paralisem os transportes ou outros serviços essenciais em dias de jogos.

São legítimas as manifestações que se expressem em defesa dos direitos democráticos e sociais que são atacados por imposição da FIFA, um verdadeiro ataque à nossa soberania. É justa a reivindicação de ingressos a preços populares ou de estatização dos estádios construídos com verbas públicas ou do Maracanã que foi privatizado.

Mas, nada disso deve ser confundido com o pretenso “movimento Não vai ter Copa”.

Nesse movimento, que não corresponde ao estado de animo do povo, há muita manipulação, inclusive de setores da direita. A Fundação Ford dos EUA, por exemplo, financia campanhas de ONGs contrárias à Copa. A direita se aproveita do movimento para insuflar seu cinismo em palavras de ordem como “Brasil pentacampeão/o país da corrupção”.

Alexandre Linares

(Artigo originalmente publicado na edição nº 743 do Jornal O Trabalho)

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PADRÃO EXCLUDENTE!

O Sindicato dos Servidores Federais do Distrito Federal, a respeito do “padrão Fifa” levantado em manifestações escreve que esse modelo é “materialização de um evento feito para poucos, rodeado de suspeitas por todos os lados, em que uma entidade tem poderes acima da legislação dos países onde promove seus eventos e desrespeita os trabalhadores e seus direitos” E conclui: “ƒ este o serviço público excludente que queremos construir? Definitivamente não.

Queremos serviço público para todos (…) que respeite os seus trabalhadores e atenda as necessidades da população.

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